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Política não atrai jovens alemães

por Deutsche Welle publicado 07/01/2014 06h22
Média de idade dos políticos na Alemanha é de 58 anos, e há poucas pessoas com menos de 35 nos partidos. Algumas medidas foram tomadas para reverter essa situação
Brian Kelley / Flickr / Creative Commons
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Cartaz eleitoral na Alemanha

Embora tenha na sala de estar de sua casa uma cadeira de balanço, Roland Kohler pouco a usa. O sonho de longas viagens em companhia da mulher, durante a aposentadoria, também foi deixado de lado.

Kohler é o representante do Partido Verde num pequeno vilarejo do estado alemão da Renânia do Norte-Palatinado. Supostamente, o Partido Verde tem apelo entre os jovens, mas Kohler já passou dos 70 anos e procura um sucessor. Uma tarefa árdua, como ele tem percebido. E ele não é o único nessa luta.

Segundo uma pesquisa intitulada Filiados de um partido, realizada pela Universidade Livre de Berlim (FU), a média de idade de um político alemão é de 58 anos. O percentual de pessoas com idade entre 16 e 35 anos nos partidos alemães oscila entre 3% e 11%. Em organizações e iniciativas não partidárias, o número de jovens envolvidos é maior, embora também com tendência descrescente.

Kohler sabe que essa situação não pode continuar. Embora afirme que é preciso acumular experiências para tomar decisões complexas, ele acredita também que seja necessário curiosidade e um frescor de pensamento para solucionar problemas.

Segundo o político, a mistura dos dois é que é saudável. Além disso, completa, quando falta gente jovem, há perigo de clientelismo. "Especialmente nas regiões do interior do país, é comum membros de uma mesma família dominarem a política local há anos". Mas toda vez que Kohler tenta convencer os jovens a se aproximar mais da política, ele observa a mesma situação: "Eles ficam assustados com o que veem".

Assustadora é também a forma como se faz política. Em geral, os líderes de bancada acertam tudo previamente em comissões e outros grupos e, aos demais, só resta concordar.

Por que falta gente jovem?

Para Karin Horn, de 72 anos, que integra a câmara municipal da cidade de Bad Honnef, nas proximidades de Bonn, a falta de políticos jovens se deve sobretudo às exigências cada vez maiores do mercado de trabalho. Além disso, os jovens se interessam mais pela vida familiar. "Hoje em dia os jovens têm pouco tempo e não querem manter ligações ou se prender a alguma organização", diz Horn, que é filiada à União Democrata Cristã (CDU).

De fato, cientistas políticos detectaram que, em toda a Alemanha, a geração entre 20 e 35 anos prefere não se ater a uma ideologia. Os jovens nutrem interesse pela política, mas dão preferência a ações rápidas para questões específicas, rejeitando longas discussões sobre diretrizes e regras, comuns nos partidos tradicionais.

Jörg Haselier, correligionário de Karin Horn e também membro da câmara municipal de Bad Honnef, ainda é considerado um típico "político jovem", embora já tenha 45 anos. Ele vê numa mudança de comportamento a razão do problema etário entre os políticos alemães: antigamente, diz, ocupar um cargo político era uma questão de honra e reputação. Hoje os jovens se interessam pela participação e querem ser levados a sério.

Isso significa que eles também querem participar das decisões. "Os mais velhos costumam não gostar de se despedir dos cargos, querem continuar sendo úteis e, com isso, não gostam de ceder lugar", opina Haselier, tocando num ponto que parece ser mais comum na vida política do país do que parece.

Rejuvenescimento da classe política

Várias pesquisas mostraram que o interesse político é despertado e concretizado em primeiro plano na escola. A influência da escola supera até mesmo a dos pais, dos amigos, da internet e da leitura de jornais. "Mas infelizmente política e ciências sociais são matérias frequentemente negligenciadas", reclama Matthias Ruschke, da Fundação Friedrich Ebert, ligada ao Partido Social Democrata (SPD).

"A política tem que ser experimentada muito cedo, através de uma participação bem-sucedida", observa Ruschke, que, por meio de um fórum, organiza diversas atividades para estimular a participação política dos jovens, incluindo encontros com políticos nas escolas.

Nesses eventos, os escolares fazem perguntas a políticos e especialistas ligados à administração pública. Estes levam as questões dos jovens a sério e se colocam frente aos escolares de igual para igual, conta Ruschke. Isso leva muitos jovens a abandonar seus preconceitos e, mais tarde, a se engajar na política.

Parlamentos de jovens

A prefeitura de Oberhausen, no Vale do Ruhr, foi além e criou, assim como outras 80 cidades do país, um parlamento jovem. Não se trata de uma simulação, mas de uma instituição fiscalizada pela Câmara Municipal.

Financiados por um pequeno orçamento, jovens entre 13 e 20 anos podem contribuir regularmente para decisões sobre questões que os afetam. "Participamos disso porque muitas das medidas de austeridade da prefeitura nos deixaram admirados e indignados", explicam alguns dos membros do parlamento jovem.

O projeto já fez com que a Casa da Juventude da cidade fosse salva e reformada. O sistema de transporte de ônibus foi melhorado tendo em vista as necessidades dos escolares. De maneira geral, as experiências nos parlamentos jovens têm sido tão positivas que essas instituições vêm ganhando cada vez mais espaço. E principalmente em termos de política municipal há muitas decisões que afetam diretamente os jovens.

Na Alemanha, seis dos 16 estados já introduziram o voto para menores de 16 anos em eleições municipais, em vez dos tradicionais 18 anos. Na opinião de Ruschke, o debate deverá ser ampliado em 2014, abrangendo também as eleições federais e europeias.

  • Autoria Wolfgang Dick (sv)
  • Edição Alexandre Schossler

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