As chances de Henrique Capriles, o principal candidato a enfrentar o presidente Hugo Chávez nas eleições em outubro, melhoraram depois da desistência de um de seus adversários na última semana. Hoje Capriles parece prestes a conseguir a nomeação da coalizão oposicionista, Mesa da União Democrática (MUD), em sua eleição primária em 12 de fevereiro. Ele seria um forte adversário para o presidente Hugo Chávez, que, embora ainda mantenha vantagem, poderá ver a disputa se acirrar significativamente com a aproximação do pleito.

Henrique Capriles, que deve conquistar o apoio da oposição para as eleições presidenciais em outubro, desponta como um adversário forte ao presidente Hugo Chávez. Foto: Juan Barreto/AFP
Seis pré-candidatos vinham disputando a nomeação do MUD até que o terceiro colocado, Leopoldo López, ex-prefeito do município de Chacao, em Caracas, desistiu em 24 de janeiro e deu seu apoio a Capriles, o jovem e carismático governador do estado de Miranda. Em segundo lugar nas pesquisas de opinião está Pablo Pérez, governador do estado de Zulia.
López não se saiu bem nos recentes debates na televisão e nos comícios de campanha, e também enfrentava um obstáculo jurídico: os tribunais controlados por Chávez o haviam proibido de ocupar cargos eletivos devido a denúncias de corrupção. Apesar de a Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão sediado na Costa Rica, ter recentemente abolido a proibição, não havia certeza se o governo venezuelano acataria a decisão.
Embora mais abaixo nas pesquisas, dois outros candidatos presidenciais atraíram considerável atenção depois dos últimos debates: uma legisladora independente, María Corina Machado, e um ex-embaixador venezuelano na ONU, Diego Arria, também disputando de forma independente. Os dois animaram a oposição dura com uma linha mais firme contra o governo. Há pouco tempo Machado desafiou diretamente Chávez durante seu discurso nacional de nove horas ao Congresso em 13 de janeiro. Apesar de ambos serem adversários pitorescos, nem Machado nem Arria têm influência para superar Capriles nas primárias.
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Capriles e Pérez vão procurar se diferenciar nos dias que antecedem a votação primária. O primeiro é do partido de centro-direita Primeiro Justiça, e o segundo vem do social-democrata Um Novo Tempo. Capriles conseguiu atrair pequenos partidos de esquerda para seu lado, incluindo o Podemos (que até 2007 apoiou Chávez). Atrás de Pérez estão dois partidos que já dominaram a política venezuelana: a Ação Democrática e Copei. Mas essas legendas tradicionais estão amplamente desacreditadas e, por isso, seu apoio poderá ser mais um prejuízo do que um reforço para Pérez. No final, o apoio de López provavelmente será a variável definitiva que consolidará o voto da oposição em torno de Capriles.
Chávez continua forte
Enquanto isso, os índices de aprovação popular de Chávez, em cerca de 57% em dezembro, continuam firmes e bem acima de qualquer de seus aspirantes a adversário. Mas continuam os rumores sobre seu estado de saúde desde que se tratou de um câncer em Cuba no ano passado — apesar da demonstração de força durante seu discurso-maratona no Congresso. A indisposição do presidente a divulgar detalhes sobre o tipo de câncer que tem e seu prognóstico somente alimentou a crença de que possa estar gravemente doente e especulações sobre possíveis sucessores dentro do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), no governo.
A incerteza sobre a saúde de Chávez e o crescente apoio dos eleitores a uma mudança de governo aumentaram as chances eleitorais da oposição mais do que em qualquer momento durante os 12 anos de governo de Chávez. Elas são reforçadas pelo compromisso dos partidos membros do MUD de permanecer unidos e apoiar o indicado que surgir em fevereiro.
Parecem haver poucas dúvidas sobre a vitória de Capriles na primária e de que representará uma séria ameaça para Chávez. Ele vai se concentrar em aproveitar o cansaço do público com o longo período de Chávez no governo e os atuais problemas de inflação alta, aumento da criminalidade, falta de energia e habitação e a desorganização econômica geral.
A promessa de Capriles de manter os programas sociais de Chávez, enquanto reanima a economia e promove investimentos privados, vai repercutir em muitos eleitores venezuelanos. (Ele dirigiu seu próprio programa Fome Zero com sucesso em Miranda, adotando o modelo do programa antipobreza do Brasil). A ascensão da oposição já ficou evidente nas eleições legislativas de 2010, quando a maioria dos eleitores escolheu candidatos de oposição, mas uma posterior divisão de distritos eleitorais a privou da maioria na Assembleia Nacional.
Com a popularidade ainda alta e recursos financeiros substanciais a sua disposição, Chávez tentará reforçar sua posição intensificando os gastos sociais — há estimativas de que os gastos do governo subirão 40% este ano. Supondo que sua saúde não piore, ainda parece provável que ele evite os ataques do MUD para conquistar mais um mandato. No entanto, esta será a batalha eleitoral mais dura que Chávez já lutou, e a Economist Intelligence Unit prevê uma probabilidade de 40% de vitória da oposição.
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