A já imprevisível corrida para a nomeação presidencial pelo Partido Republicano produziu mais surpresas, com vitórias de Rick Santorum, um ex-senador da Pensilvânia, em Minnesota, Colorado e Missouri. Os resultados salientam as constantes dificuldades de Mitt Romney, o suposto primeiro colocado, para atrair os conservadores e conquistar eleitores de modo geral. Também destacam as genuínas credenciais conservadoras de Santorum. Apesar disso, é provavelmente apenas o último em uma sucessão de figuras “qualquer um menos Mitt” que desfrutam seu momento ao sol, e o bem financiado e organizado (embora chato) Romney permanece o mais provável candidato republicano.
Santorum ganhou as votações primárias ou os cáucus nos três estados em 7 de fevereiro. Em Minnesota, obteve 45% dos votos, com Romney em terceiro lugar com 17%. No Colorado, Santorum conseguiu 40% dos votos, seguido de Romney com 35%. Romney ganhou nos dois estados durante sua campanha mal sucedida para a nomeação republicana em 2008. Em Missouri, Santorum conquistou 55% dos votos, embora isto fosse apenas um indicativo “concurso de beleza” (sem compromissos dos delegados interessados), antes dos cáucus formais marcados para meados de março.
Esses resultados não afetam muito as chances dos candidatos em termos de garantir os 1.144 delegados necessários para vencer a nomeação republicana (os cáucus de Minnesota e Colorado também não eram compulsórios). Mas eles ainda importam em termos de indicar o tom geral e o ímpeto da corrida, e como um barômetro (embora não totalmente confiável, por diversos motivos) da popularidade de cada candidato. Acima de tudo, os três resultados confirmam as constantes dúvidas que muitos republicanos têm sobre Romney, primeiro colocado sólido mas não entusiasmante, e o espaço que ainda existe para um candidato energizar a base conservadora do partido.
Santorum é o mais socialmente conservador dos candidatos restantes, e certamente um objeto mais plausível de apoio conservador do que o combustível e casado três vezes Newt Gingrich, que se apresentou até agora como a verdadeira alternativa a Romney. O resultado do Colorado é uma decepção especial para Romney, dado que conseguiu 60% dos votos lá durante a corrida das primárias de 2008. Romney quase não fez campanha em Missouri, por outro lado, por isso o resultado seria menos negativo.
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O impacto real é que Romney ainda está basicamente onde estava: é claramente o candidato com maior probabilidade de vencer a indicação, com melhores finanças até agora e uma forte organização lhe apoiando, mas não apreciado pelos eleitores e considerado uma espécie de camaleão político. Romney ganhou em três estados — New Hampshire, Flórida e, mais recentemente, Nevada –, o que lhe deu uma liderança inicial confortável em termos de delegados.
Além disso, segundo uma média de pesquisas de opinião publicada pela RealClearPolitics, um site político baseado em Chicago, no início de fevereiro Romney estava 11,5 pontos à frente de seu rival mais próximo para a indicação republicana. Apesar disso, ele parece curiosamente incapaz de capitalizar sua vantagem, o que permanece um problema sério para sua campanha.
Com o tempo os republicanos provavelmente vão admitir com relutância que Romney é sua melhor aposta para vencer Obama em novembro, mas essa própria relutância levanta questões sobre suas probabilidades de sucesso no cenário nacional. O presidente é um orador público muito carismático e tem uma força comprovada como candidato, e sua campanha visará impiedosamente as fraquezas de Romney. Enquanto isso, Santorum parece estar provavelmente apenas desfrutando um breve momento sob os refletores como o último de uma série de candidatos a assumir o manto “qualquer um menos Mitt”. No entanto, ele terá de concorrer com Gingrich pelas afeições dos conservadores desde que o último continue na corrida, e provavelmente é conservador demais para o gosto dos eleitores médios e os democratas desiludidos (ambos os quais precisam ser cortejados durante a atual campanha presidencial).
Isto é, em última instância, uma boa notícia para Obama. As chances de reeleição do presidente continuam severamente reduzidas pela economia fraca — apesar de recentes melhoras nos dados — e seu próprio desempenho não convincente durante seu mandato, particularmente em termos de administrar as relações com o Congresso. Nesse contexto, a presidência ainda parece destinada a Romney. Mas se os indicadores econômicos continuarem melhorando, as chances de Obama vão aumentar. Além disso, os republicanos continuam provando que não têm um candidato definido e que portanto estão divididos entre alguém de quem realmente não gostam (Romney) e uma seleção variada de personagens de elegibilidade dúbia ou inexistente em nível nacional.
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