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Internacional

Próteses Mamárias

Polícia francesa prende Jean-Claude Mas, fundador das próteses PIP

por AFP — publicado 26/01/2012 11h16, última modificação 26/01/2012 11h18
A polícia francesa prendeu nesta quinta-feira Jean-Claude Mas, o fundador da empresa PIP de próteses mamárias, que se encontram no centro de um escândalo sanitário internacional

PARIS (AFP) - A polícia francesa prendeu nesta quinta-feira Jean-Claude Mas, o fundador da empresa PIP de próteses mamárias, que se encontram no centro de um escândalo sanitário internacional e é alvo de processos, informou uma fonte policial.

"Jean-Claude Mas foi detido no domicílio de sua companheira e colocado sob custódia", afirmou o procurador federal em Marselha (sul da França), Jacques Dallest.

Jean-Claude Mas foi preso devido a uma investigação iniciada em dezembro na cidade de Marselha (sul da França) sobre as implicações sanitárias das próteses mamárias PIP.

O empresário de 72 anos foi capturado por homens do Escritório Central de Luta contra Atentados ao Ambiente e Saúde Pública.

Dallest confirmou também a prisão de Claude Couty, que ocupou vários cargos na empresa PIP, como o de diretor financeiro, diretor-geral e presidente da direção.

Os peritos realizaram buscas na casa em que Mas foi preso, uma luxuosa villa onde catalogaram diversas obras de arte.

"Ele não está bem, está muito cansado e espera poder ver seu médico", afirmou o advogado do empresário, Yves Haddad. Mas não realiza aparições públicas desde a explosão do escândalo.

Philippe Courtois, advogado da Associação de Portadoras de Próteses PIP (PPP), saudou a prisão de Mas. "Mas não esperamos grande coisa de seu testemunho, já que em outras ocasiões disse coisas insultantes diante das próprias vítimas", explicou.

A presidente da PPP, Alexandra Banchere, e a titular de outra associação de vítimas, Murielle Ajello, devem se reunir com Dallest nos próximos dias.

A empresa de Mas está no centro de um escândalo mundial, que diz respeito a milhares de mulheres em inúmeros países, por causa da fabricação de implantes mamários defeituosos.

O escândalo se intensificou em dezembro, ao revelar-se que essas próteses continham um aditivo para combustíveis.

Apesar de a empresa ter falido em 2010, o empresário admitiu que a firma produziu um gel de silicone que não estava autorizado pelos órgãos responsáveis, mas descartou que apresentasse riscos para a saúde.

"Eu sabia que esse gel não era homologado, e o fizemos conscientemente porque o gel da PIP era mais barato (...) e de melhor qualidade", explicou Mas aos peritos da polícia durante uma investigação preliminar.

Mais tarde, foi aberto um processo contra ele por homicídio e ferimentos voluntários.

Na França foram registrados pelo menos 20 casos de câncer entre as mulheres portadoras de implantes da PIP (16 delas eram câncer de mama), apesar de, no momento, não se poder estabelecer uma relação de causalidade.

De qualquer maneira, as autoridades francesas, assim como em outros países, inclusive o Brasil, recomendaram a extração desses implantes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselhou às mulheres que tenham implantes PIP em todo mundo que consultem seus médicos ante qualquer suspeita de ruptura ou presença de dor.

Milhares de queixas foram apresentadas em diversos países contra a empresa PIP.