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Internacional

Terror na Dinamarca

Polícia identifica possível autor dos atentados

por Deutsche Welle publicado 16/02/2015 10h08
Tiroteios em Copenhague podem ter sido inspirados nos atentados ocorridos em Paris, em janeiro. Primeiro-ministro israelense reitera convite a judeus da Europa a emigrarem para Israel
Soeren Bidstrup/ Scanpix Denmark/ AFP
Ataque terrorista

Flores foram deixadas em frente ao centro cultural Krudttonden, na capital dinamarquesa, em homenagem às vítimas dos ataques terrorista de sábado 14

A polícia dinamarquesa declarou ter estabelecido a identidade do suspeito dos dois tiroteios ocorridos da véspera, em Copenhague, que foi morto pelos agentes na madrugada deste domingo 15.

Trata-se de um dinamarquês de 22 anos, com ficha policial por violência, atividades ligadas a gangues e posse ilegal de armas. No entanto, as autoridades não divulgaram seu nome, reportando-se às investigações em curso.

Várias buscas vêm sendo efetuadas na capital dinamarquesa, como parte da investigação, como informou um oficial da polícia à emissora dinamarquesa DR. Numa batida em um internet-café os agentes levaram pelo menos duas pessoas algemadas.

Informações de um motorista de táxi

O primeiro tiroteio do sábado ocorreu num café-centro cultural, onde transcorria um debate sobre a liberdade de expressão, deixando um morto e três policiais feridos. Cerca de dez horas mais tarde, um jovem judeu foi abatido com um tiro na cabeça, no bairro de Krystalgade, próximo à principal sinagoga da capital dinamarquesa. Também na ocasião dois policiais saíram feridos.

O suspeito de ambos os tiroteios foi morto na manhã deste domingo, em frente ao edifício onde morava, no distrito de Nørrebro, após abrir fogo contra a polícia. Sua movimentação fora acompanhada por câmeras de segurança.

O edifício onde o rapaz morava foi descoberto graças às informações do motorista de táxi que o transportara após o primeiro ataque. A polícia dinamarquesa também encontrou uma arma que pode ter sido utilizada no atentado ao café Krudttønden.

"Ataque à crença na liberdade"

Jens Madsen, diretor do serviço de segurança dinamarquês PET, afirmou à imprensa que a polícia se apoia na hipótese de que os atentados teriam sido "inspirados pelos ataques de Paris". Perpetrados por fundamentalistas muçulmanos em janeiro, eles deixaram um saldo de 17 mortos.

Segundo Madsen, o homem já vinha sendo observado, mas não há nenhuma informação concreta de que tenha viajado para zonas de conflito como a Síria ou o Iraque, ou aderido a organizações jihadistas. O bairro de Nørrebro conta com grande parcela de imigrantes entre seus moradores.

Suspeito
A polícia dinamarquesa divulgou uma imagem não datada com a imagem do possível suspeito por trás dos ataques

 

A primeira-ministra da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt, confirmou que a motivação dos ataques ainda não é conhecida, "mas sabemos haver forças que querem ferir a Dinamarca, esmagar nossa liberdade de expressão, nossa crença na liberdade. Não estamos diante de uma luta entre o Islã e o Ocidente, não é uma luta entre muçulmanos e não-muçulmanos."

Thorning-Schmidt visitou a sinagoga próxima ao local do segundo ataque, acompanhada pelo ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve. "Quando a comunidade judaica é atacada, nossa democracia é atacada, toda a Dinamarca é atacada", condenou a chefe de governo.

Netanyahu urge judeus a deixarem Europa

O primeiro-ministro israelense, Benjamim Netanyahu, reiterou neste domingo o convite à população judaica da Europa para emigrar para seu país, que é "o seu lar": "Aos judeus da Europa e do mundo, lhes digo que Israel os espera de braços abertos."

"O extremismo islâmico atacou outra vez a Europa. Judeus foram mortos em solo europeu apenas por serem judeus", acrescentou. Atualmente em campanha para as eleições legislativas em Israel de 17 de março, Netanyahu declarou que seu governo planeja investir 45 milhões de dólares numa estratégia para "encorajar a absorção de imigrantes da França, Bélgica e Ucrânia".

O premiê já havia feito um apelo semelhante após os atentados de motivação fundamentalista do início de janeiro, contra a sede do jornal satírico francês Charlie Hebdoe um supermercado kosher em Paris. Os corpos dos quatro judeus mortos na ocasião foram trasladados para sepultamento em Israel.

FF/rtr/afp/ap/dpa

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