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Internacional

Grécia

Polícia grega prende líder e deputados de partido de extrema direita

por Deutsche Welle publicado 29/09/2013 10h56
Líder Nikos Michaloliakos e outros integrantes do Aurora Dourada são acusados de integrar organização criminosa que ataca imigrantes e esquerdistas na Grécia. Crise financeira aumentou simpatia por neonazismo no país
Menelaos Myrillas / Fos Photos / AFP
Nikos Michaloliakos

Nikos Michaloliakos, líder do Aurora Dourada, é escoltado por policiais ao ser detido em Atenas, no sábado 28

A polícia de Atenas prendeu neste sábado (28/09) o líder do partido de extrema direita Aurora Dourada (Chrysi Avgi, em grego), Nikos Michaloliakos. Também foram detidos o porta-voz do partido, Ilias Kassidiaris, e outros dois deputados da legenda. Eles são suspeitos de constituir uma "organização criminosa" que vem realizando vários ataques contra imigrantes e militantes de esquerda.

Adeptos da facção radical protestaram nas ruas da capital grega contra as prisões, portando bandeiras e cantando o hino nacional. Ainda segundo a polícia, foram expedidos mandados de prisão contra outros integrantes do partido.

Violência e ideologia nazista

Embora rejeite a classificação de neonazista, o Aurora Dourada utiliza a saudação nazista e seu líder Michaloliakos nega o Holocausto – o extermínio de 6 milhões de judeus pelo regime nazista, nas décadas de 1930 e 1940.

O partido é, ainda, acusado de envolvimento em numerosos ataques contra imigrantes e esquerdistas, sendo o caso mais recente o assassinato do rapper de esquerda Pavlos Fyssos, de 34 anos. O músico foi esfaqueado por um radical de direita que admitiu pertencer ao Aurora Dourada.

O homicídio de Fyssas desencadeou uma onda de indignação pública e de investigações abrangentes contra os neonazistas. Críticos acusam a polícia e a Justiça de terem tolerado por tempo demasiado os discursos de agitação e atos de violência do partido e de seus membros.

Ameaça de fragilizar governo

A prisão de Nikos Michaloliakos ocorreu um dia depois de ele ter ameaçado retirar do Parlamento todos os seus deputados, caso a pressão contra o partido não cesse.

Desde as eleições de 2012, em que obteve 7% dos votos, o Aurora Dourada ocupa 18 de um total de 300 assentos. A popularidade dos radicais de direita cresceu à medida que se agravava a crise financeira na Grécia.

A retirada do partido do Parlamento implicaria convocar novas eleições legislativas em 15 regiões – embora também pudesse resultar, para o Aurora Dourada, na perda de grande parte, ou mesmo de todos os seus assentos.

Eventuais novas eleições na Grécia trazem ainda o risco de tumultuar as relações de poder no Parlamento, onde a coalizão de governo dispõe de uma maioria apertada.

Edição: Mariana Santos
AV/rtr/afp/ap/dpa

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