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Polícia encontra duas toneladas de urânio próximo à embaixada brasileira em La Paz

por AFP — publicado 29/08/2012 10h25, última modificação 06/06/2015 18h28
O material radioativo, que pode ser proveniente do Brasil, estava exposto num prédio no centro da capital
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Policiais bolivianos fazem a segurança do urânio encontrado no centro de La Paz. Foto: Jorge Bernal / AFP

LA PAZ (AFP) - O governo da Bolívia disse ter encontrado na terça-feira 28 "cerca de duas toneladas de urânio" em um prédio no coração de La Paz, a poucos metros das embaixadas de Brasil e Estados Unidos. Uma investigação foi ordenada imediatamente."São cerca de duas toneladas de material que se usa para a construção de armamento nuclear", disse em entrevista coletiva o vice-ministro do Interior, Jorge Pérez, que dirigiu a operação policial para remover o material "radioativo".

"A informação preliminar aponta para um alto nível de radioatividade, o que vamos determinar com a perícia que se realizará imediatamente", disse Pérez, revelando que o suposto dono do material "foi detido".

O vice-ministro não detalhou como o material foi localizado e para onde a polícia o levou, e se a operação ocorreu com as devidas medidas de segurança radioativa. Também não informou se os vizinhos do local precisarão realizar exames médicos.

O material estava em uma garagem do primeiro andar de um prédio localizado a poucos metros das duas embaixadas. "Nos chama a atenção o manejo de um material deste tipo, prejudicial à saúde, em tal quantidade e no centro da cidade de La Paz", disse Pérez.

As duas toneladas de urânio estavam "em bolsas (plásticas) expostas ao tempo, um material radioativo manipulado de maneira direta e de forma irresponsável, arriscando a vida de pessoas", prosseguiu o funcionário. Segundo Pérez, o urânio "pode proceder do Brasil ou de outro país vizinho, e provavelmente seguiria para o Chile".

O vice-ministro destacou que "o processo de manipulação deste tipo de material deve ser submetido a certo tipo de protocolo e de autorização especializada", e que "todas as regulamentações do planeta geralmente assinalam que o manejo do urânio é exclusivo do Estado, e não de particulares".

O presidente da estatal Corporação Mineira da Bolívia (Comibol), Héctor Córdova, disse que o achado "é preocupante e chama a atenção" pelo tipo e quantidade do material encontrado. Córdova lembrou que a Bolívia não possui tecnologia para processar urânio, apesar de o país ter uma jazida do mineral no departamento andino de Potosí, no sudoeste do país.

A imprensa local especulou no ano passado que Bolívia e Irã haviam fechado um acordo para explorar urânio, o que La Paz negou energicamente. "Há convênios internacionais que estabelecem a forma com que se deve manipular material radioativo, com a intervenção dos Estados. Há formas de embalar e transportar que são muito controladas para não ocorrer danos à população", disse Córdova.

"É verdadeiramente surpreendente o que acabamos de descobrir e será preciso tomar todas as medidas para se evitar qualquer dano à população exposta a este material". A Bolívia não tem tecnologia e conhecimento para enfrentar um eventual desastre de saúde por exposição à radiação.

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