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Plano não reelegerá Obama

por Gianni Carta publicado 09/09/2011 17h03, última modificação 10/09/2011 12h12
Presidente diz que seu plano de US$447 bilhões para gerar empregos deveria ser apartidário, mas seu objetivo é também angariar apoio para sua reeleição

O discurso de Barack Obama no Congresso americano na quinta-feira 8 foi brilhante. Isso não surpreende. Obama não venceu o pleito presidencial três anos atrás somente porque é negro e carismático, mas também porque parecia ter um programa econômico claro. Além disso, exímio orador ele sempre foi.

Exceto que durante sua presidência, sua politica econômica permaneceu uma incógnita. No entanto, dia 8 ele finalmente anunciou um pacote de US$447 bilhões para derrubar a taxa de desemprego, de 9,1%. No dia 19, Obama deverá anunciar aquilo que ele chama de um “ambicioso” plano para reduzir o estratosférico déficit público.

O plano para lidar com o desemprego, intitulado Lei Americana de Empregos, é, avalia o próprio presidente, simples. E de fato é. Seu objetivo é “colocar mais pessoas de volta ao trabalho e mais dinheiro no bolso de quem não trabalha”.

O plano prevê, entre outros itens, cortes de impostos para pequenas empresas e a contratação de novos funcionários. Ao mesmo tempo, empresas a contratar veteranos ou pessoas fora do mercado há mais de um semestre receberão créditos. Obama quer, ainda, criar empregos no setor de construção civil via investimentos em infraestrutura. Com a ajuda de US$100 bilhões do setor privado e mais a criação de um banco público, serão financiadas reformas e construções de pontes, rodovias, portos, aeroportos, etc.

Contudo, apesar da transparência do programa econômico de Obama, as diferenças entre republicanos e republicanos no Congresso poderão inviabilizar as reformas propostas. O presidente americano foi hábil ao martelar o seguinte fato: “Tudo o que está aqui no plano é o tipo de proposta que já foi apoiada tanto por democratas quanto por republicanos, incluindo muitos dos que estão sentados aqui nesta noite”.

Em miúdos, a questão não é eleitoral. Ou pelo menos é esse o recado que Obama quer passar aos americanos. O presidente tem, afinal, de lidar com a maioria de republicanos na Câmara dos Representantes (deputados). E, na esteira, quer mostrar ao povo que ele, Obama, é o polo unificador. Em suma, se o plano econômico não der certo a culpa é dos republicanos.

Obama sublinha, ainda, que a presidencial só acontecerá dentro de 14 meses. Porém, numerosos republicanos não são ingênuos. Dizem que Obama propôs “um plano de reeleição, não de criação de empregos”. E é óbvio que o plano de Obama visa criar empregos – e, ao mesmo tempo, sua reeleição.

Segundo três pesquisas de opinião pública, mais da metade da população desaprova como Obama tem lidado com a crise econômica. Em uma delas, realizada pelo The Wall Street Journal/NBC, 51% dos interrogados o desaprovam abertamente. Pior: 78% acha que o país caminha na direção errada.

A economia americana cresceu 1% no primeiro semestre. O nível oficial de desemprego é de 9,1%. A taxa de desemprego real, a incluir os subempregados e aqueles desempregados há mais de seis meses, é de 16,2%.

Os sindicatos, claro, estão furiosos com a gestão de Obama. Idem os afro-americanos, grupo étnico a padecer do nível mais elevado de desemprego. A administração Obama bateu o recorde em termos de latinos ilegais deportados. Em 2012, a comunidade latina, entre outras, pensará duas vezes antes de votar em Obama.

A nova política econômica de Obama será o suficiente para reelegê-lo? Tudo leva a crer que seus dias estão contados.

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