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Peru escolhe novo presidente no domingo. A campanha tem um toque brasileiro

por Sul 21 — publicado 09/04/2011 13h33, última modificação 09/04/2011 13h33
Humala aparece com 28% das intenções de voto; estratégia de campanha colocou o candidato com tom menos radical. Por Gustavo Mello

Por Gustavo Mello

O escritor peruano Mario Vargas Llosa considerou que as eleições peruanas se transformaram em uma palhaçada e num espetáculo sem qualquer debate ideológico de trascendência. “A política no Peru deixou de ser uma politica mediocremente ideologica para ser, infelizmente, uma política de espetáculo”, afirmou o escritor e ex-candidato presidencial em 1990, numa coletiva de imprensa, sublinhando que “o espetáculo é o principal, não o debate de ideias”.

Os analistas políticos admitem que a assessoria em estratégia eleitoral, dada pelo especialista em marketing político João de Santana Filho, conhecido dos brasileiros da campanha para reeleição do ex-presidente Lula e na campanha vitoriosa da presidenta Dilma Roussef, está produzindo resultados positivos para o nacionalista Ollanta Humala, militar reformado da aliança Ganha Peru. Segundo pesquisas eleitorais, realizadas pela Ipsos-Apoyo e divulgadas na imprensa peruana, Humala se consolidou como o grande favorito do primeiro turno das eleições presidenciais deste domingo (10), pois aparece com 28% das intenções de votos. A Ipsos-Apoyo passou a ser considerada a empresa de pesquisas mais confiável do Peru depois de ter antecipado a derrota de Ollanta Humala para Alan García, eleito presidente do Peru, no segundo turno das eleições de 2006,

A estratégia usada por Santana foi suavizar a imagem de radical do candidato Humala, tornando-o mais palatável para a classe média e empresarial; estratégia que se mostrou acertada e fez com que disparasse nas pesquisas.

A segunda colocada, Keiko Fujimori, é filha do ex-presidente Alberto Fujimori. Ela enfrenta o desgaste, provocado pela lembrança do autoritarismo e da corrupção, praticados durante o governo do seu pai, um engenheiro agrônomo nipo-peruano que ocupou a presidência do Peru durante quase toda a década de noventa. Keiko não conseguiu reverter a queda nas pesquisas mesmo depois de se contrapor aos críticos do fujimorismo, um legado supostamente positivo de Fujimori pai.

Outro candidato que sofreu o impacto das pesquisas é o economista Alejandro Toledo (El Cholo), presidente do Peru até 2006, sucedido por seu adversário, o atual presidente peruano Alan García. Toledo era quem ponteava em primeiro lugar em todas as pesquisas, mas passou a perder o voto conservador para o ex-ministro de Economia Pedro Pablo Kuczynski, quarto colocado nas pesquisas.

Enquanto Humalla procura reforçar, em suas aparições públicas, a estratégia de moderar um discurso que ainda provoca certo temor nos setores mais conservadores, reiterando seu compromisso com a liberdade de imprensa e com o respeito à propriedade privada e desmentindo um suposto vínculo com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, outro candidato, Alejandro Toledo, faz reiterados apelos para que o APRA, o partido de Alan García, lhe dê seus votos. O APRA histórico enfrenta um grande desgaste nestas eleições e não há representante do governo na disputa, após a renúncia da ex-ministra da Economia Mercedes Aráoz, ato justificado como uma forma de se distanciar das várias acusações de corrupção que pairam sobre candidatos do APRA. A candidata, que enfrentou a cúpula do Partido Aprista Peruano, disse que a legenda incluiu entre seus candidatos ao Congresso alguns políticos investigados e outros processados por corrupção. Segundo a pesquisa da Ipsos, Aráoz tinha 4% das intenções de voto.

Assim como Humala assegurou, até o cansaço, não ser de esquerda nem chavista, além de prometer um Estado mais justo, com empresas nacionais em setores como telecomunicações e aviação, mas sem afetar os interesses do setor privado, na reta final do primeiro turno, Alejandro Toledo também valoriza as questões nacionais e procura captar votos junto aos indígenas peruanos, lembrando os problemas da dupla nacionalidade, uma forte desvantagem de Keiko Fujimori, japonesa, e Pedro Pablo Kuczynski (PPK), norte-americano que nasceu no Peru. Alejandro Toledo é considerado por observadores do processo eleitoral peruano como o candidato ideal para, no segundo turno, derrotar Humala.

*Matéria publicada originalmente em Sul 21

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