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Peña Nieto, novo presidente do México, promete não "retornar ao passado"

por Redação Carta Capital — publicado 02/07/2012 10h23, última modificação 06/06/2015 17h29
Representante do PRI, partido que comandou o país de forma autoritária por 71 anos, é declarado vencedor e promete fazer governo de reconciliação
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Peña Nieto celebra sua vitória em evento na sede do PRI, na Cidade do México. Foto: Yuri Cortez / AFP

Depois de 12 anos na oposição, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) voltou ao poder no México. O retorno do PRI foi confirmado na madrugada desta segunda-feira 2 pelo Instituto Federal Eleitoral (IFE) mexicano, que anunciou a vitória de Enrique Peña Nieto com mais de 37% dos votos. Representante de uma sigla que dominou o México por 71 anos (1929 e 2000) graças a governos autoritários e fraudes eleitorais, Peña Nieto prometeu fazer um governo diferente daqueles do PRI que o antecederam. "Somos uma nova geração, não há regresso ao passado. Meu governo terá uma visão voltada para o futuro, num México de grandiosidade e esperança que todos queremos e desejamos com ansiedade", afirmou. O PRI, nascido como um partido de esquerda, hoje é mais identificado com políticas de centro.

Peña Nieto venceu graças ao sistema eleitoral mexicano, que não prevê a realização de segundo turno. Com seus cerca de 37% dos votos, não podia mais ser alcançado pelo esquerdista Andrés Manuel López Obrador (segundo colocado, com cerca de 30%), do Partido da Revolução Democrática (PRD), e por Josefina Vázquez Mota (terceira colocada, com cerca de 25%), do Partido da Ação Nacional (PAN), que governou o México nos últimos 12 anos. Até a manhã desta segunda, López Obrador e o PRD ainda não haviam reconhecido o resultado oficialmente. "Ainda não está dada a última palavra", afirmou López Obrador na madrugada segundo o jornal El Universal. Nos últimos dias, denúncias dos partidos relacionadas a compras de votos se multiplicaram, assim como as relativas a roubos de urnas, doações de alimentos com fins eleitorais, promessas de programas sociais condicionados e coação de eleitores. As queixas estão voltadas, principalmente, para o PRI.

Para tentar amainar os adversários temerosos de que a volta do PRI ao poder signifique o retorno de um governo autoritário, Peña Nieto e dirigentes do partido emitiram mensagens de reconciliação. "É o momento de alimentar a reconciliação nacional e de olhar para o futuro, na plena normalidade democrática. Hoje os mexicanos elegeram uma nova alternância", disse o novo presidente segundo o jornal Excelsior. Pedro Joaquín Coldwell, dirigente nacional do PRI, afirmou que o partido está disposto a convocar um pacto de unidade nacional e diálogo com outras forças políticas. Luis Videgaray, coordenador de campanha de Peña Nieto, também pediu que os mexicanos não tenham medo. "O México já mudou, é um país democrático e Enrique Peña é um democrata", afirmou segundo o jornal La Jornada.

As promessas de Peña Nieto

Impulsionado pela máquina do PRI e favorecido por seu jeito de galã de telenovela, Peña Nieto, advogado de 45 anos, assumiu a presidência prometendo um "governo eficaz", que proporcione segurança e crescimento econômico.

Peña Nieto afirmou que não fará pacto ou trégua com o narcotráfico, mas que mudará de estratégia de combate ao crime organizado. O México vive uma onda de violência que deixou mais de 50 mil mortos desde que o governo do presidente Felipe Calderón iniciou, em dezembro de 2006, uma ofensiva contra os cartéis das drogas. O desgaste sofrido por Calderón foi um dos fatores que prejudicou a campanha de Josefina Vázquez Mota. Ela não conseguiu se livrar da imagem de "continuidade", mesmo prometendo ser "diferente".

Peña Nieto também se comprometeu a buscar "uma economia que gere empregos e distribua melhor a riqueza para combater a pobreza e desigualdade". Será um desafio enorme, tendo em vista que 47% dos 112 milhões de mexicanos vivem abaixo da linha de pobreza.

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