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Pena de morte: a iraniana Sakineh não passa de sábado

por Wálter Maierovitch publicado 19/08/2010 16h38, última modificação 23/08/2010 17h50
Wálter Fanganiello Maierovitch: "No Irã, em 2009, foram condenadas à morte e executadas 13 mulheres. Do lado masculino, 402 condenados enforcados"
Pena de morte: a iraniana Sakineh não passa de sábado

Wálter Fanganiello Maierovitch: "No Irã, em 2009, foram condenadas à morte e executadas 13 mulheres. Do lado masculino, 402 condenados enforcados". Na imagem, mulher faz protesto contra apedrejamento. Foto: Stephanie Pilick/AFP

1. O último recurso de Sakineh Mohammadi Ashtiani será julgado sábado pela Justiça do teocrático estado iraniano.

Depois da farsa montada no dia 11 de agosto, onde Sakineh, de chador preto,  é filmada e mostrada na televisão iraniana a confessar participação no assassinato do ex-marido, a chance de escapar à pena de morte é igual a de José Serra ganhar a eleição para presidente da República.

No Irã, em 2009, foram condenadas à morte e executadas 13 mulheres. Do lado masculino, 402 condenados restaram enforcados.

Sakineh não será apedrejada. Salvo se até sábado aparecer um parente do seu ex-marido a pleitear a lapidação. Pela interpretação xiita do Corão e da Sharia, a lapidação deve ser pedida por umparente da vítima.

Por dois crimes de adultério, Sakineh recebeu 99 chicotadas. Um dos seus dois filhos, Fasride Mohammadi Ashtiani, teve de assistir ao flagelo da mãe, para se cumprir uma exigência legal.

2. Quanto à participação no assassinato do marido, o processo foi reaberto. Estava arquivado desde 2006 e em face da absolvição de Sakineh.

O advogado de Sakineh, para não ser preso, fugiu para a Turquia. Para os fundamentalistas xiitas que governam o Iraque o referido advogado cometeu grave delito de traição ao solicitar pressão da comunidade internacional contra decisão soberana e de condenação.

3. A pressão externa, como percebeu o presidente Lula ao oferecer asilo humanitário a Sakineh, apenas irrita os aiatolás e ao presidente Ahmadinejad.

A propósito, Amity Moghaddam, membro da Iran Human Rights, já havia observado, quando do enforcamento este ano de Delara Darabi, de 23 anos, que “o regime iraniano emprega a pena de morte para mostrar a sua força, intrna e externamente, e difundir o medo”.

4. Sobre a suspensão da pena capital, o Irã, como os EUA, não subscreveram, em assembléia das Nações Unidas, a moção apresentada pela Alemanha. A meta alemã era estabelecer, para todos os estados membros da ONU, uma “moratória” até que, em futura Convenção da ONU, fosse deliberado a respeito da legitimidade da imposição de pena capital.

Para a cabeça dos fundamentalistas que dirigem esse país, uma execução de pena capital serve para mostrar ao Ocidente que não aceitam influência externa

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