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Pelos caminhos dos Incas

por Rota Inca — publicado 29/07/2010 15h25, última modificação 11/08/2010 15h27
Expedicionários da Ruta Inka percorrem parte do Qhapaq Ñan, caminho construído por indígenas séculos atrás

 Expedicionários da Ruta Inka percorrem parte do Qhapaq Ñan, caminho construído por indígenas séculos atrás

Logo no começo da Ruta Inka 2010, os expedicionários enfrentaram o primeiro teste físico. No segundo dia iniciou-se uma caminhada de três dias pelo Camino Precolombino del Choro, ao norte de La Paz, Bolivia. Esse caminho de mais de 60km faz parte do Qhapaq Ñan, uma imensa rede de estradas construídas e aperfeiçoadas pelos povos nativos desde oito séculos atrás. Era a coluna vertebral que conectava todo o imenso império controlado pelos Incas com sede em Cuzco- cidade cujo nome significa "umbigo" no idioma indígena quéchua- a pontos distantes como Quito no Equador ou o norte do Chile.

A grandiosa obra que corta montanhas de acesso remoto continua sendo usada pelos habitantes locais e também está aberta para visita de turistas. “Caminhando podemos apreciar o grau conhecimento e esforço que tinham os ancestrais que há séculos atrás construíram essa estrada que vai durar para sempre e que supera as dificuldades de uma região tão montanhosa” afirma o funcionário da secretaria de turismo de La Paz Fernando Quiroga.

Antes de partir, os viajantes participaram de uma cerimônia liderada por um líder espiritual local pedindo a Pachamama (Mãe Terra) para que tudo passasse bem durante o percurso. O Camino del Choro começa a nada menos que 4700 metros acima do nível do mar, onde o ar rarefeito e o sol forte dificultam a caminhada. A paisagem inicial é pobre em fauna e flora, porém tem como pano de fundo a escultural beleza das montanhas andinas que chegam a mais de 6 mil metros. Fernando Quiroga explica que antes quase todos os picos eram repletos de neve e que hoje muitos deles apresentam apenas uma camada superficial ou nenhuma neve: “Um dos objetivos de promovermos essa caminha é também chamar a atenção para o drama que vive nosso planeta”.

Mas nas horas seguintes de caminhada vai se descendo, baixando a altitude numa região de vale um pouco mais diversa ecologicamente até que se culmine na exuberante floresta tropical de altitude da região conhecida como Los Yungas, onde ocorre o belíssimo abraço entre as montanhas andinas e a vegetação amazônica, gerando grandes rochas onde existem riquíssimas fauna e flora.

Por conta do pouco tempo disponível no itinerário, os expedicionários da Ruta Inka 2010 tiveram que fazer em praticamente dois dias e meio o percurso que turistas fazem geralmente em 3 ou 4 dias, o que fez com que tivessem que caminhar inclusive a noite e terminassem exaustos, além de não poderem aproveitar plenamente o belo visual. Dificultava o fato de que o caminho é isolado e não possui nenhuma estrada ao redor, de modo que uma vez começada a caminhada é preciso ir até o final ou voltar ao início.

A expedicionária boliviana Liliana Serrate visitou pela primeira vez esse atrativo de seu país aprovou a experiência: “Foi maravilhoso percorrer o Camino del Choro porque pudemos sentir de perto como viviam os povos incaicos, como podiam comunicar-se com diferentes zonas, como trabalhavam e viviam. Foi uma caminhada dura mas importante para entendermos como sobreviviam em regiões tão remotas”. Além da população dos arredores, no império inca moviam-se pelo Qhapaq Ñan os chasquis, jovens atléticos que corriam por quilômetros levando produtos ou mensagens (através de cordas coloridas com nós chamadas de quipus) até o próximo ponto, onde outro jovem passava adiante em constante revezamento o que permitia que fossem percorridas imensas distancias em tempos reduzidos.

O diretor da Ruta Inka Rubén La Torre ressaltou que a caminhada serve para promover uma das principais bandeiras levantadas pela expedição que é valorização do Qhapaq Ñan e os moradores de seus arredores, que passaram muitos séculos esquecido pelos governos. Atualmente está em processo na Unesco um projeto apoiado pelos governos de Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Argentina e Chile para revitalizar o caminho inca Qhapaq Ñan e transformá-lo em Patrimônio da Humanidade em 2012, gerando um incremento no turismo e na renda das comunidades que vivem ao redor.

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