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Páscoa conturbada em Israel e Palestina

por Viviane Vaz, em Jerusalém — publicado 25/04/2011 10h31, última modificação 26/04/2011 10h26
Passeata pela criação da Palestina e morte de religioso em Nablus atropelam a celebração judaico-cristã
Páscoa conturbada em Israel e Palestina

Passeata pela criação da Palestina e morte de religioso em Nablus atropelam a celebração judaico-cristã. Por Viviane Vaz. Foto: Gali Tibbon/ AFP

Depois de uma semana sem pão, nem cerveja, cumprindo a tradição de evitar todos os alimentos fermentados, os judeus ortodoxos em Israel e no mundo terminam hoje à meia-noite os festejos de Pessah, a Páscoa judaica. Por uma semana eles lembraram a libertação de seus antepassados por Moisés, depois de viverem como escravos no Egito há 3.500 anos. A celebração também é conhecida como "Festa da Primavera" ou da "Festa da Liberdade".

Em Jerusalém, mais de dois milhões de israelenses e turistas estrangeiros lotaram a cidade antiga, sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos. Muitos enfrentaram longas filas no sábado para chegar ao Muro das Lamentações, enquanto os cristãos esperavam horas para se aproximar da igreja do Santo Sepulcro.

Na moderna Tel Aviv, um grupo de mais de 60 artistas e acadêmicos israelenses aproveitou as celebrações da Páscoa para chamar atenção de uma posição alternativa à do governo do premiê Benjamin Netanyahu. Ao contrário do governo atual, eles apoiam a criação de um Estado palestino com base nas fronteiras de 1967 e pediram na quinta-feira que o público aderisse a uma carta que encaminhará a petição ao governo.

Segundo um dos defensores da iniciativa, o professor da Universidade Hebreia de Jerusalém e especialista em Holocausto, Yehuda Bauer, a ideia é favorecer o plano para dois Estados: Israel e Palestina. “Acreditamos que as forças israelenses que ocupam a Cisjordânia têm que se retirar e deveriam ser traçadas novas fronteiras com base nas de 1967", disse Bauer aos jornalistas.

Mortos e feridos

No domingo, o sobrinho da ministra de Cultura de Israel, Ben Yossef Livnat, de 25 anos, foi morto por policiais da Autoridade Palestina (AP) quando tentava chegar à tumba do patriarca José na cidade palestina de Nablus. O grupo seguia em três carros e segundo os policiais palestinos, não tinha autorização para entrar no lugar considerado sagrado. O incidente deixou mais quatro fiéis feridos. Para o exército israelense houve uma "falha grave de coordenação entre as forças israelenses e as forças palestinas", uma vez que o grupo religioso não informou os militares israelenses sobre a visita e não avisaram os policiais palestinos. Mas, para o ministro da Defesa Ehud Barak, “nenhum problema de coordenação pode justificar um incidente como este e a matança de inocentes”.

Livnat recebeu as condolências de Netanyahu, que pediu nesta segunda-feira que o governo palestino de Mahmud Abbas investigue o caso e tome medidas severas contra os policiais que atiraram nos religiosos israelenses. Livnat disse que seu sobrinho "era um inocente, que só queria rezar junto à Tumba de José" e considerou que ele foi "assassinado por terroristas disfarçados de policiais da Autoridade Palestina".

Além da tumba de José, o território palestino da Cisjordânia conta com mais duas tumbas sagradas para a tradição judaica, que também costumam ser locais de confronto entre israelenses e palestinos: a tumba dos Patriarcas (Abrãao e Sara), na cidade de Hebron, e a tumba de Raquel, na cidade de Belém.

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