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Eleições na Rússia

Partido de Putin vence eleições, mas perde apoio

por Redação Carta Capital — publicado 04/12/2011 20h51, última modificação 05/12/2011 09h33
Em meio a protestos e denúncias de fraudes, Rússia Unida consegue quase 50% dos votos em eleição teste para intenções do primeiro-ministro de retornar à presidência em 2012
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Em meio a protestos e denúncias de fraudes, Rússia Unida consegue quase 50% dos votos em eleição teste para intenções do primeiro-ministro de retornar à presidência em 2012 . Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP

Em meio a um clima de tensão, protestos e denúncias de fraudes, os russos foram às urnas no domingo 4 para as eleições legislativas e reduziram o controle absoluto do partido do primeiro-ministro Vladimir Putin. A comissão eleitoral do país anunciou que com 68% das mesas apuradas, a legenda Rússia Unida soma 49,9% dos votos.

Os cerca de 110 milhões de eleitores do país vaõ escolher os 450 deputados da Câmara Baixa do Parlamento (Duma), em uma eleição teste para Putin, que se prepara para voltar à presidência em 2012, após dois mandatos entre 2000 e 2008. Os resultados parciais apontam, no entanto, uma forte queda de popularidade da Rússia Unida em comparação a 2007, quando recebeu 64,3% dos votos.

No pleito de domingo, o Partido Comunista, principal movimento de oposição na Duma, somou 19,5% dos votos, seguido pela Rússia Justa (centro-esquerda) com 13%,  e o Partido Liberal Democrata (nacionalista), 11,9%.

Durante o dia, mais de 170 opositores do governo foram presos ao tentarem participar de manifestações não autorizadas em Moscou e São Petersburgo. Os protestos tinham como alvo a maneira como transcorreram as eleições legislativas. "Mais de 100 pessoas foram presas na praça Triumfalnaya, após múltiplas advertências sobre o caráter ilegal da manifestação", informou a polícia da capital.

Entre os detidos estava o escritor e opositor Eduard Limonov, que anunciou sua intenção de ser candidato nas eleições presidenciais de 2012. Reunidos desde as 18h locais, os manifestantes de Moscou protestavam contra o andamento das eleições.  Em São Petersburgo, cerca de 400 pessoas gritavam que as eleições eram uma farsa.

O clima conturbado também atingiu a internet e diversos sites independentes sofreram ataques de hackers, ficando fora do ar. Entre os mais conhecidos está o portal da ONG Golos, que registra fraudes eleitorais e vem sendo alvo de ações do Kremlin na última semana.

Outros meios de comunicação atingidos foram os sites da rádio Eco de Moscou, do jornal Kommersant e o New Times. "O ataque está dirigido contra todos os portais que relatarão o que acontece nas eleições", declarou Dmitri Merechko, um porta-voz da Golos, à agência de notícias France Presse.

O redator-chefe da rádio Eco de Moscou, Alexei Venediktov, foi o primeiro a denunciar os ataques no domingo de manhã. "É claro que é uma tentativa de dificultar a publicação de informações sobre as fraudes", escreveu no Twitter. O veículo é controlado pelo consórcio de gás Gazprom, mas tem sido a principal estação a fornecer informações independentes.

No sábado 3, houve denúncias de ataques contra a plataforma Live-Journal, um dos principais portais base de blogs. Outro porta-voz da Golos, ONG supostamente financiada com fundos ocidentais, denunciou ter todos os seus sistemas de comunicação eletrônicos pela internet bloqueados.

A Golos havia denunciado no sábado uma "campanha de perseguição por parte do poder", logo que a diretora da organização foi retida na alfândega de um aeroporto de Moscou durante doze horas e teve o computador confiscado. Um dia antes, a ONG foi declarada culpada por violar a lei eleitoral e condenada a uma multa de cerca de 700 euros.

"Essas são as eleições mais escandalosas da história russa", declarou o cientista político Dimitri Orechkin, fundador do movimento "Observador Cidadão", associado à Golos.

 

Com informações AFP.

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