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Eleições na Rússia

Partido de Putin conquista maioria absoluta

por AFP — publicado 05/12/2011 09h16, última modificação 05/12/2011 15h17
O Rússia Unida obteve 238 deputados em um total de 450, ou seja, 12 assentos acima da maioria absoluta
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O premier Vladimir Putin discursa para simpatizantes do partido Rússia Unida, observado pelo presidente Dmitri Medvedev . Foto: ©AFP / Alexei Nikolsky

O partido Rússia Unida, do primeiro-ministro Vladimir Putin, conservou no domingo 4 a maioria absoluta na Duma, Câmara Baixa do Parlamento, embora tenha sofrido uma forte perda de seu apoio eleitoral, segundo os resultados publicados nesta segunda-feira ao término de controversas eleições.

O Rússia Unida obteve 238 deputados em um total de 450, ou seja, 12 assentos acima da maioria absoluta, segundo "a distribuição preliminar de mandatos" anunciada pela Comissão Eleitoral Central.

A maioria absoluta na Duma é de 226 deputados, razão pela qual o Rússia Unida poderá formar governo sem necessidade de aliados, mas perde a maioria dos dois terços que lhe permitiria modificar a Constituição.

 

Em 2007, o partido de Putin conquistou 315 cadeiras.

O Partido Comunista, segundo nas legislativas, terá 92 deputados, indicou Vladimir Churov, presidente da Comissão Eleitoral Central.

O partido Rússia Justa, de centro-esquerda, obteve 64 assentos, e o Partido Liberal Democrata, nacionalista de extrema direita, 56.

A distribuição dos mandatos de deputados se baseia na apuração de 96% dos votos.

A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) denunciou diversas irregularidades nas eleições de domingo.

"A votação estava bem organizada, mas a qualidade do procedimento se deteriorou consideravelmente durante a votação, que se caracterizou por violações frequentes das regras do procedimento, e, em particular, com diversos indícios de preenchimento de urnas", afirmou a OSCE.

A distribuição dos mandatos de deputados se baseia na apuração de 96% dos votos

O Rússia Unida conquistou 49,54%, um nível muito elevado, mas que representa uma diminuição de aproximadamente 15% em relação às eleições de 2007, nas quais havia conquistado 64,3%.

A imprensa russa destacava nesta segunda-feira a perda de votos do Rússia Unida, liderado pelo atual presidente russo, Dmitri Medvedev.

"O Rússia Unida perde a maioria constitucional", disse o jornal Kommersant.

O partido no poder "terá que buscar aliados" na Duma, acrescentou.

Rússia Unida, "o partido da minoria", era a manchete do jornal Vedomosti.

A imprensa ressalta que o Rússia Unida obteve este resultado apoiando-se em um aparato administrativo a serviço do regime de Putin, exercendo pressões contra ONGs e meios de comunicação independentes e organizando fraudes.

"Se a sociedade precisava confirmar que as eleições eram 'fraudadas', a confirmação pode ser vista pelo nervosismo e pela reação histérica das autoridades diante das tentativas legais e pacíficas de controlar o desenvolvimento da eleição", opinou Vedomosti.

O jornal ressalta, em particular, os ciberataques que paralisaram os sites das ONG Golos, especializada na vigilância das eleições e dos meios de comunicação independentes, como o jornal Kommersant e a rádio Eco de Moscou.

"As eleições se transformaram de fato em um referendo contra o Rússia Unida", opinou o cientista político Boris Mejuev no jornal Izvestia.

O líder do Partido Comunista, Guennadi Ziuganov, disse que os "eleitores se negaram a conceder a confiança às autoridades" e que, portanto, o Kremlim terá que negociar com a oposição no parlamento.

"Muita gente se negará a reconhecer os resultados de tais eleições", afirmou Vedomosti.

A imprensa russa destacava nesta segunda-feira a perda de votos do Rússia Unida

O analista Eugueni Volk, do Fundo Yeltsin, relativizou o retrocesso do partido de Putin.

"Que o Rússia Unida não disponha mais da maioria constitucional, não é dramático. Os que queriam mudar na Constituição já o fizeram", disse Volk.

Outro analista, Alexandre Goltz, do sitio ej.ru, afirmou que a vontade dos eleitores russos foi "violada".

Vladimir Putin, candidato à eleição presidencial de março de 2012 para substituir Medvedev, voltou a demonstrar que é o homem que decide tudo, disse Goltz.

"O objetivo é convencer o país de que hoje, amanhã e depois de amanhã, Putin fará o que quiser", acrescentou Goltz.

O atual primeiro-ministro e homem forte do país declarou no domingo que os resultados das legislativas permitirão um "desenvolvimento estável do país".

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