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Turquia

Partido de Erdogan perde maioria absoluta no Parlamento turco

por AFP — publicado 07/06/2015 16h19, última modificação 07/06/2015 19h39
Partido islamita conservador perdeu espaço na Casa, ameaçando planos do presidente de reformar a Constituição; partido curdo HDP ingressa com 70 assentos
Ozan Kose/AFP
Presidente Erdogan

O presidente Erdogan votou em Istambul, no domingo 7, com a esperança de ampliar seu poder sobre a Turquia

O partido islamita conservador do presidente turco Recep Tayyip Erdogan perdeu neste domingo nas eleições legislativas a maioria absoluta que tinha no Parlamento há 13 anos, um fracasso para o homem forte do país que queria reforçar seu poder.

Por sua vez, o partido curdo HDP (Partido Democrático do Povo) superou a barreira de 10% dos votos e deve entrar no Parlamento com mais de 70 assentos, segundo resultados parciais anunciados pelas redes de televisão turcas com cerca de 75% dos votos apurados.

Se estes resultados se confirmarem, a eleição enterrará o projeto de Erdogan de reformar a Constituição e reforçar, assim, seu poder como presidente.

Seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), que venceu todas as eleições nos 13 últimos anos, só deve obter neste domingo 43% dos votos e 270 dos 550 assentos do Parlamento, o que o obrigará a formar uma coalizão.

Nas últimas legislativas, de 2011, conquistou 49,8% dos votos.

Os dois principais rivais do AKP, o Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata) e o Partido de Ação Nacional (MHP, direita), obteriam respectivamente 24% e 17% dos votos (124 e 85 assentos, respectivamente).

A participação nas eleições foi de 85%.

Os colégios eleitorais fecharam às 17h00 locais (11h00 de Brasília), ao término de um dia marcado por uma forte participação, apesar de um atentado com bomba que deixou na sexta-feira dois mortos e mais de uma centena de feridos durante um comício do principal partido curdo em seu reduto de Diyarbakir (sudeste).

O partido islamita conservador se apresentava pela primeira vez debilitado ante os eleitores, vítima do declínio da economia e das críticas por seu autoritarismo.

Depois de 11 anos como primeiro-ministro, Erdogan foi eleito chefe de Estado em agosto passado e devolveu em teoria as chaves do executivo e do partido ao seu sucessor, o ex-ministro das Relações Exteriores Ahmet Davutoglu.

No entanto, decidido a manter as rédeas do país, milita desde então por uma presidencialização do regime e um fortalecimento de seus poderes.

Apesar das críticas, o chefe de Estado fez abertamente uma campanha por sua reforma e seu partido, indo contra a Constituição, que lhe impõe um rígido dever de neutralidade.

Para alcançar seu objetivo, Erdogan precisava de uma ampla vitória eleitoral. Se o AKP conseguisse dois terços (367) dos 550 assentos de deputados, poderia votar sozinho a reforma constitucional para reforçar os poderes do chefe de Estado. Se obtivesse apenas 330 deputados, poderia submetê-la a referendo. Caso contrário, suas ambições seriam frustradas.

Erdogan continua sendo muito popular no país. "Votei novamente (no AKP) porque quero que a Turquia seja dirigida por um presidente forte", disse à AFP Mehmet Kose, de 50 anos, vendedor de frutas em Istambul.

No entanto, as pesquisas sugeriam que poderia perder sua aposta.

"Votei pelo AKP nas eleições anteriores porque fizeram um bom trabalho. Mas não confio mais neles", disse Murat Sefagil, de 42 anos, outro eleitor de Istambul.

O principal partido curdo, o Partido Democrático do Povo (HDP), constituía o principal obstáculo no caminho de Erdogan.

De esquerda, moderno e preocupado com as minorias, o partido curdo é liderado por um quarentão carismático, Delahattin Demirtas, que espera aproveitar seu papel chave nestas eleições para ampliar seu público tradicional.

"Votei pelo HDP porque é um partido dinâmico capaz de fornecer uma mudança real", declarou Hazal Ozturk, de 19 anos, que votava pela primeira vez em Istambul.

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