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Eslováquia

Parlamento não aprova ajuda ao euro

por AFP — publicado 11/10/2011 17h08, última modificação 12/10/2011 18h01
Os dirigentes eslovacos anunciaram a possibilidade de nova votação, na qual a oposição social-democrata poderia apoiar o reforço à Zona do Euro

BRATISLAVA (AFP) - Os deputados eslovacos rejeitaram nesta terça-feira o reforço do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), uma decisão que pode agravar a crise da dívida na Eurozona.

"Sobre o conjunto dos 124 deputados presentes, 55 votaram a favor, 9 contra e 60 não votaram", constatou o vice-presidente do parlamento, Pavol Hrusovsky.

A votação deve levar à queda do governo de Iveta Radicova, que havia vinculado uma monção de desconfiança a seu gabinete.

Os dirigentes eslovacos, no entanto, anunciaram antes a possibilidade de uma nova votação, na qual a oposição social-democrata poderia apoiar o reforço do FEEF.

A oposição social-democrata eslovaca do partido Smer-SD disse estar disposta a apoiar o reforço do FEEF da Eurozona, imediatamente depois que o parlamento o rejeitou nesta terça-feira à noite.

Em troca, no entanto, eles exigem antecipação das eleições.

"O Smer está disposto a apoiar o FEEF em troca de um acordo sobre a antecipação das eleições", disse à imprensa um responsável por este partido, Jan Pociatek, ex-ministro dasFinanças.

"Caso as negociações comecem, creio que a votação pode ser esta semana", disse a primeira-ministra Radicova.

O reforço das competências do fundo permitiria ao FEEF comprar no mercado secundário dívida dos países em dificuldades, uma tarefa que até agora era confiada ao BCE.

O fundo também poderia agora outorgar aos Estados linhas de crédito preventivas - como o faz o FMI - ou emprestar dinheiro aos países para que recapitalizem seus bancos.

O FEEF será implantado a meados de 2013 pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE).

O apoio da Eslováquia em sua nova votação definirá o futuro da Eurozona e da UE.

A meta é acelerar a busca por uma solução à crise que possa ser debatida na reunião da UE de 23 de outubro e apresentada ante o G20 (grupo de potências industrializadas e emergentes) em Cannes (sul da França) nos dias 3 e 4 de novembro.

A coalizão de governo da Eslováquia tem 79 deputados em um total de 150, mas 22 pertencem ao SaS, um partido liberal e eurocético. Seu líder, Richard Sulik, considera que os eslovacos são muito pobres para pagar por erros alheios e se nega a votar a favor do FEEF, exceto se a Eurozona aceitar que a Eslováquia não pague sua parte de 7,7 bilhões de euros.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, exortou nesta terça-feira em Bruxelas aos governos europeus a tomar "decisões claras" para solucionar os problemas da dívida.

Uma das principais prioridades dos países europeus neste momento é a recapitalização dos bancos mais expostos, com a finalidade de evitar uma propagação da crise no setor bancário, principalmente nos países mais ameaçados como França, Espanha e Itália.

A Eurozona tem "a vontade política" de superar a crise, afirmou em Hanoi a chefe do governo alemão, Angela Merkel, dois dias depois de reunir-se com o presidente francês Nicolas Sarkozy.

A reforma do fundo de resgate, um mecanismo criado em 2010, aumentará sua capacidade para 440 bilhões de euros e concederá mais poderes para oferecer créditos ou comprar dívida pública dos países em dificuldades nos mercados secundários.

Os dirigentes europeus aceitaram o fato de que a Grécia não poderá manter-se sem que seus credores perdoem uma parte muito superior a prevista de sua dívida, o que obriga a injeção de capital nos bancos da Eurozona para evitar um "tsunami" financeiro.

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