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Paradoxos contemporâneos

por Coluna do Leitor — publicado 19/04/2011 09h43, última modificação 19/04/2011 09h43
O professor Hamit Bozanslan afirma que os países árabes sofrem de “fadiga social generalizada” e que uma das causas residiria na brutal partilha do império Otomano entre 1918 e 1920. Pelo leitor Pedro Bendito Maciel Neto

O professor Hamit Bozanslan afirma que os países árabes sofrem de “fadiga social generalizada” e que uma das causas residiria na brutal partilha do império Otomano entre 1918 e 1920. Pelo leitor Pedro Bendito Maciel Neto

Qual o real significado das rebeliões que tem ocorrido nos chamados países árabes? Será a busca de liberdade? Não sei, pode ser... Afinal a busca de liberdade só pode ser produto do trabalho coletivo e ela (a liberdade) somente pode ser garantida coletivamente. Nesses países o viés autoritário e o culto à personalidade dos ditadores colidem com a sua busca e com a sua garantia.

As rebeliões, quaisquer que sejam suas causas e significados, surpreendem a todo o ocidente e muito dessa surpresa decorre do seguinte fato: a maior parte dos regimes autoritários árabes era apoiada pelas democracias ocidentais, especialmente pelos EUA. Trata-se de um grande paradoxo que não pode ser esquecido.

E esses governos autoritários eram apoiados pelas democracias ocidentais porque eram vistos como "bastiões contra o radicalismo", e por isso seriam capazes de manter a paz e a estabilidade naquela região (e garantir o fornecimento de petróleo ao império decadente), mas isso não aconteceu.

O professor Hamit Bozanslan afirma que a região sofre de “fadiga social generalizada” e que uma das causas históricas residiria na brutal partilha do império Otomano entre 1918 e 1920 entre França e Reino Unido. Desse modo nós estaríamos apenas colhendo os frutos de um erro político e da ganância da lógica liberal, pois foi nesse período que ocorreram as revoltas árabes e a ascensão do islamismo.

A outra causa, que é também efeito, decorre do chamado “11 de setembro”. Após esse fato a “terra dos bravos” e seus aliados fechou-se a todas as nações árabes, inclusive àquelas que buscavam alternativas democráticas para realizar mudanças estruturais necessárias.

E entre esses dois fatos não pode ser esquecida a criação do rstado de Israel (que conceitualmente pode ser entendido como uma possibilidade de implantação de uma democracia burguesa e como alternativa aos regimes militares e autoritários, mas que significou mais uma intervenção violenta do ocidente na região).

Paradoxos e mais paradoxos. Fica a ideia para reflexão necessária e a provocação para início do debate. Compartilho essas ideias, pois desprezo e combato todas as formas de injustiça socialmente produzidas, seja sob as bênçãos da esquerda ou da direita. Esse é meu limite ético e moral, devo essa convicção à minha vivência e ao exercício da política de forma livre.

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