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Internacional

Tragédia ambiental

Para MPF, Chevron sabia dos riscos

por Redação Carta Capital — publicado 20/03/2012 13h34, última modificação 20/03/2012 13h34
Empresa aumentou propositalmente a pressão durante perfuração, causando uma fissura de 800 metros no solo marinho
chevron vazamento afp

Em novembro, vazamento na Bacia de Campos jogou 2,4 mil barris de petróleo no mar. Foto: AFP

Com um novo vazamento de óleo no Campo de Frade, em Campos dos Goytacazes, a norte-americana Chevron está em uma situação cada vez mais complicada. Um relatório do Ministério Público Federal (MPF) indica que a empresa deixou de tomar precauções essenciais e tinha consciência do risco do acidente durante a exploração de petróleo. Segundo o órgão, a Chevron utilizou uma pressão maior que a suportada durante a perfuração e cavou mais fundo do que o permitido. De acordo com o inquérito, o poço explodiu e o vazamento está agora sem controle. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Em novembro de 2011, a petroleira derramou 2,4 mil barris de óleo no mar. Na sexta-feira, uma liminar proibiu 17 executivos da empresa e da brasileira Transocean, operadora da companhia, de deixar o País sem autorização judicial. A prisão preventiva não está descartada. O presidente da Chevron Brasil Petróleo, George Raymond Buck III, de origem americana, está entre os nomes.

Os representantes terão de prestar esclarecimentos à Comissão de Meio Ambiente do Senado em audiência pública na quinta-feira 22, convocada pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

Membros da Agência Nacional do Petróleo (ANP), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Ministério Público Federal (MPF) e o delegado de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal, Fábio Scliar também serão ouvidos.

Segundo a Polícia Federal, a indústria não está preparada para responder ao acidente causado pela Chevron, com vazamento na rocha conservadora. A própria Chevron admitiu uma fissura de 800 metros, em decorrência do acidente no ano passado. A ANP indica que, ao longo desse trajeto, existem cinco pontos de vazamento. Ao todo, foram recolhidos dois litros de óleo, desde quinta-feira.

A exploração foi interrompida na sexta-feira, a pedido da multinacional, mas a suspensão será prorrogada por conta da descoberta da fissura de 800 metros. Ildo Luís Sauer, doutor em Engenharia Nuclear e professor da Universidade de São Paulo, em no ano passado, apontou que, na prática, as próprias empresas são as únicas responsáveis pela fiscalização de suas atividades.

 

*Com informações da Agência Brasil

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