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Internacional

Troca de farpas

Paquistão nega acusação dos EUA e diz que não deu abrigo a Bin Laden

por Opera Mundi — publicado 03/05/2011 16h23, última modificação 03/05/2011 16h58
Para assessor da Casa Branca, é "inconcebível" que o terrorista não tivesse contado com o respaldo do país. Do Opera Mundi

Por Marina Terra, do Opera Mundi

Em resposta às acusações feitas por Washington de que Osama Bin Laden - morto neste domingo (01/05) por soldados norte-americanos - recebia proteção e abrigo no Paquistão, o presidente do país, Asif Ali Zardari, negou que as autoridades do seu país soubessem do paradeiro do terrorista saudita, afirmando que o país "nunca foi nem nunca será o foco de fanatismo como é muitas vezes descrito pela mídia". As declarações foram dadas por Ali Zardari por meio de um artigo escrito para o jornal The Washington Post nesta terça-feira (03/05).

Ao comentar a ação, na segunda-feira (02/05), o principal assessor da Casa Branca para assuntos de segurança nacional de contraterrorismo, John Brennan, afirmou que era "inconcebível que Bin Laden não tivesse um sistema de apoio no país que permitisse a ele ficar lá por um longo tempo".

Zardari sustentou que foi uma surpresa descobrir que Bin Laden tinha se instalado em uma confortável área residencial nas cercanias de Islamabad. O líder paquistanês disse ainda que seu país está tão comprometido com a guerra contra o terrorismo quanto os Estados Unidos.

"Essas especulações infundadas (de que autoridades sabiam do paradeiro de Bin Laden) podem produzir notícias emocionantes, mas não refletem a realidade", disse o líder paquistanês. "O Paquistão teve tanta razão para desprezar a Al-Qaeda como qualquer outra nação. A guerra contra o terrorismo é tanto a guerra do Paquistão como é da América."

Zardari assinala que, "horas depois da morte de Bin Laden, os talibãs culparam o governo do Paquistão e reivindicaram vingança contra seus líderes, especificamente contra mim, como o presidente da nação". O presidente paquistanês insiste que seu país "pagou muito caro por sua oposição ao terrorismo. Morreram mais soldados nossos que de todos os países da OTAN juntos".

Zardari lembra também que sua própria família foi alvo do terrorismo, já que "os terroristas assassinaram nossa maior líder, a mãe dos meus filhos" (em alusão a sua esposa, a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, morta em um atentado em dezembro de 2007).

Colaboração
A principal agência de inteligência paquistanesa (ISI) confirmou nesta terça-feira que "compartilhou" informações sobre Osama bin Laden com os EUA, mas negou que forças do Paquistão tenham participado da operação que matou o líder da Al Qaeda.

Em declarações à Agência Efe, um alto cargo do ISI sustentou que a colaboração em matéria de inteligência foi o único papel do Paquistão na operação, sem detalhar se foi decisiva para lançar o ataque ou para conhecer o paradeiro de Bin Laden. "O presidente Obama aludiu a isso em sua declaração. Disse que o Paquistão tinha sido um fator instrumental para compartilhar informações. Nossa cooperação chegou até aí", assegurou a fonte, que pediu anonimato.

O alto cargo do ISI insistiu que não houve uma "participação física" do Paquistão, apenas troca de informações. Precisou, no entanto, que não podia dar detalhes sobre se os EUA atuaram a partir de inteligência proporcionada pelo Paquistão ou a partir de informações próprias, o que é apontado por fontes norte-americanas.

A fonte também contestou o assessor para a luta contra o terrorismo da Casa Branca, John Brenna. "Isso é totalmente falso. É infeliz que não conhecêssemos seu paradeiro. Se soubéssemos, o teríamos capturado antes", assegurou o alto cargo do ISI, referindo-se ao fato de as forças norte-americanas terem matado Bin Laden na cidade de Abbottabad, próxima a Islambad.