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Paquistão: Legislativas ou conflito radical islâmico?

por Gianni Carta publicado 06/05/2013 14h57, última modificação 07/05/2013 08h16
Em clima de violência, na dianteira estão os populistas Nawaz Sharif e Imran Khan. Por Gianni Carta, de Karachi
Aamir Qureshi/AFP
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Nawaz Sharif, ex-premier duas vezes e líder da Liga Muçulmana do Paquistão (PML-N)

De Karachi, no Paquistão

Às vésperas das legislativas no próximo sábado 11, o Tehrik Talibã e- Paquistão (TTP) justifica sua campanha de assassinatos de integrantes de três partidos seculares assim: foram eles os responsáveis pelo “genocídio” de populações tribais (leia os Pashtun) e de muçulmanos. Isso durante os cinco últimos anos de governo civil.

E, assim, foram assassinados pelo Talibã mais de 60 integrantes do Awami National Party (ANP), o Partido Popular Paquistanês (PPP) e do Movimento Muttahida Qaumi (MQM). No sábado 4 três pessoas perderam a vida em um atentado perto da sede do MQM em Karachi.

No dia anterior, Sadiq Zaman Khattak , candidato do ANP, foi morto com seu jovem filho em Karachi. No mesmo dia, motoqueiros mataram Chaudhry Zulfiqar, o procurador a investigar a morte, em dezembro de 2007, da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, do PPP.  
As regiões mais afetadas pela chacina dos talibãs são Karachi, ao sul do país de 180 milhões de habitantes, e as zonas tribais nas fronteiras com o Afeganistão.

Karachi não parece uma cidade às vésperas de uma eleição, mas uma que se prepara para uma guerra civil.

Não é difícil detectar tropas de choque e policiais, em todos os ângulos possíveis, para um grande embate.

Abdul Jabbar, dono de uma loja de eletrodomésticos no centro de Karachi, me diz “evitar qualquer aglomeração”. E, nos últimos tempos, continua, “não há mais comícios eleitorais”. O motivo? “Está todo mundo com medo.”

Esses políticos a integrar partidos laicos não apoiaram, segundo os talibãs, os muçulmanos radicais, e, portanto, se aliaram às forças norte-americanas na guerra contra seu próprio povo e contra o Afeganistão. Por tabela, colaboraram, através de teleguiados, entre outros, às matanças de radicais a lutar pelo Islã, tanto no Afeganistão como no Paquistão.

O Paquistão, desde sua criação em 1947, está dividido entre laicos e islâmicos, entre esses numerosos moderados ou simpatizantes de movimentos radicais como o Talibã, e, por tabela, ao Al Qaeda.

Ao mesmo tempo, esta potência nuclear tenta, aos trancos e barrancos, se democratizar.
Não é fácil. Falta água potável para um terço da população. Apenas 56% do povo é alfabetizado. Cerca de 1% da população paga impostos. A maioria dos parlamentares não declara seus bens. Apagões são frequentes. E, vale recordar, o crime a violência, rolam, por tabela, soltos.

No entanto, estas são as primeiras eleições nas quais um governo sucederá outro igualmente civil.

Ele durou cinco anos, mesmo sob o presidente corrupto Asif Ali Zardari, mais conhecido como “Mr. 10%”. Zardari passou mais de dez anos atrás das grades por corrupção antes de ser eleito ao cargo máximo, na esteira do assassinato de sua mulher assassinada, a ex-premier Benazir. Em miúdos, em 66 anos de existência da República Islâmica do Paquistão, onde predomina uma maioria muçulmana sunita, um governo civil chegou ao cabo de seu mandato.

No meio tempo, houve nada menos que quatro ditaturas militares.

Há, portanto, motivos para celebrações.

Jovens, a despeito da violência, estão entusiasmados com as eleições gerais. Mais de 30% do eleitorado tem entre 18 e 29 anos. Eles querem mudar este país dominado por militares, o último deles o general Pervez Musharraf, ditador entre 1999 e 2008. Musharraf, vale recapitular, perseguia, entre outros juízes, Chaudhry Zulfiqar.

No entanto, Musharraf, de volta de seu exílio da Arábia Saudita, para, parece, a pedido de seus companheiros, deixar confusos os eleitores mais do que para se candidatar, acabou atrás das grades na sua confortável fazenda nas cercanias de Islamabad, a capital. A razão: a maneira como lidou com os juízes.

Os talibãs, por vezes, se fazem de bonzinhos. Eles não impedem, por exemplo, os comícios dos partidos religiosos como o de Nawaz Sharif, ex-premier duas vezes e líder da Liga Muçulmana do Paquistão (PML-N). De acordo com as pesquisas, Sharif será o vencedor com mais de 40% dos votos.

Mas, o Talibã também não bombardeia comícios de Imran Khan, o maior inimigo de Sharif. Ex-campeão de críquete, Khan, é líder do Movimento pela Justiça no Paquistão (PTI). Entre outras propostas, Khan quer reduzir os 30% do orçamento destinado ao Exército. O dinheiro seria redirecionado para a saúde.

Assim como Sharif, Khan é contra os teleguiados. Os norte-americanos não retirarão, se depender do ex-campeão de críquete, seus equipamentos do Afeganistão via Karachi.

E, sempre como Sharif, Khan sustenta que as tribos Pashtun não fazem uma guerra religiosa – mas sim uma ofensiva contra estrangeiros.

Tanto Sharif quanto Khan não passam de dois oportunistas. Khan diz que não fará alianças com Sharif. E como a legenda vencedora precisará de 172 das 272 cadeiras da Câmara Baixa do Parlamento o futuro é incerto.

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