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Papa Francisco inicia pontificado com pedido pela paz e pelo meio ambiente

por AFP — publicado 19/03/2013 10h27, última modificação 06/06/2015 18h24
Na missa de inauguração de seu pontificado, o papa Francisco fez um pedido pela paz e pela defesa do meio ambiente diante de mais de 100 mil fiéis e vários dirigentes que acompanhavam a cerimônia

CIDADE DO VATICANO (AFP) - Com o discurso de um "humilde" servidor de Deus, o Papa Francisco inaugurou nesta terça-feira 19 seu pontificado com um pedido de luta pela paz e de defesa do meio ambiente, diante de mais de 100 mil fiéis de todo o mundo na Praça de São Pedro.

"Nunca esqueçamos que o verdadeiro poder é o serviço e que também o Papa, para exercer o poder, deve entrar cada vez mais neste serviço que tem seu cume luminoso na cruz, deve colocar seus olhos no serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para proteger todo o povo de Deus e acolher com afeto e ternura toda a humanidade, especialmente os mais pobres, frágeis, os pequenos", afirmou com simplicidade.

Diante de uma praça lotada, com a presença de 31 chefes de Estado, Francisco pediu a "todos os que ocupam postos de responsabilidade no âmbito econômico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos 'custódios' da criação, do desígnio de Deus, inscrito na natureza, guardiães do outro, do meio ambiente; não deixemos que os sinais de destruição e morte guiem o caminho deste nosso mundo".

Em seu discurso, o pontífice citou São Francisco de Assis, o santo que inspirou seu nome pela defesa dos pobres e da paz, para pedir "respeito à criaturas de Deus e pelo entorno em que vivemos".

O papa argentino, que recordou seu "venerado predecessor", o papa emérito Bento XVI, o primeiro pontífice da era moderna que renunciou ao cargo, mencionou também João Paulo II e pediu aos membros da Igreja que se inspirem em São José, "um homem forte, corajoso e trabalhador", mas de "grande ternura". "Não devemos ter medo da bondade, da ternura", disse, para os aplausos das entre 100 e 150 mil pessoas presentes, segundo o Vaticano.

No início da missa, o Papa Francisco recebeu o pálio (longo manto) de lã branca com seis cruzes, que pertenceu ao predecessor Bento XVI, e o simples anel do Pescador de prata que escolheu para seu pontificado.

Na capital argentina Buenos Aires, cidade da qual o novo Papa era arcebispo até semana passada, uma multidão emocionada acompanhava a cerimônia ao vivo em telões.

A popularidade do novo pontífice foi mais uma vez comprovada durante seu percurso de papamóvel pela praça antes da missa solene.

Francisco utilizou um jipe branco totalmente aberto e saudou, sorridente, os fiéis entusiasmados que o aclamavam em meio a um mar de bandeiras, muitas delas de países latino-americanos.

Antes de presidir a missa, Francisco — o primeiro pontífice latino-americano e o primeiro jesuíta — rezou diante do túmulo de São Pedro, o pai da Igreja, situado debaixo do altar-mor da basílica, acompanhado por una dezena de representantes das igrejas católicas orientais.

O Sumo Pontífice, que parecia caminhar com dificuldade, se reuniu em seguida com os 180 concelebrantes. Todos caminharam em procissão até o altar erguido do lado fora da praça com o canto do Laudes Regiae, uma litania de invocação em honra a Cristo.

A missa, em latim e grego para recordar as igrejas do Oriente e Ocidente, incluiu também leituras em idiomas como inglês ou espanhol.

Pela primeira vez desde sua eleição na semana passada, o Papa não saiu do roteiro da cerimônia solene, marcada por um rígido esquema de segurança. Depois da missa, o Papa retornou à basílica, que tinha uma bandeira branca sem o escudo papal, para retirar os ornamentos litúrgicos e receber as 132 delegações estrangeiras.

Chefes de estado
A presidente argentina Cristina Kirchner se reuniu em audiência privada na segunda-feira com o novo Papa, a quem pediu uma intercessão na questão da disputa de seu país com a Grã-Bretanha sobre a soberania das ilhas Malvinas.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, também viajou a Roma para a missa de inauguração.

O grande ausente é o papa emérito, Bento XVI, que, depois de sua histórica renúncia no mês passado, se mudou para a residência de veraneio de Castelgandolfo, donde receberá a visita do Papa Francisco no fim de semana.

Antes de iniciar esta histórica jornada, o Papa Francisco enviou uma mensagem em espanhol aos compatriotas argentinos reunidos em uma vigília. Ele pediu que "deixem de lado o ódio e a inveja" e "não temam a Deus, que sempre perdoa".

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