Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Papa Francisco fala sobre perdão e misericórdia no primeiro Angelus

Internacional

Vaticano

Papa Francisco fala sobre perdão e misericórdia no primeiro Angelus

por AFP — publicado 17/03/2013 12h16, última modificação 06/06/2015 18h24
Deus "nunca se cansa de perdoar, somos nós os que cansamos de pedir perdão", afirma Francisco em discurso

Por Pol Costa

Mais de 100.000 pessoas aclamaram neste domingo 17 na Praça de São Pedro do Vaticano o papa Francisco, que celebrou o primeiro Angelus de seu pontificado, no qual insistiu na necessidade da misericórdia e do perdão.

"Irmãos e irmãs, bom-dia", foram as primeiras palavras do Papa argentino Jorge Bergoglio, que escolheu o nome Francisco, ao aparecer de batina branca e com uma cruz de ferro, enquanto os católicos agitavam bandeiras de dezenas de países na imensa esplanada situada no coração do Vaticano. "Para nós cristãos é importante encontrar-nos todos os domingos, saudar-nos, conversamos em uma praça que, graças aos meios de comunicação, tem as dimensões do mundo", disse em uma nova demonstração da proximidade com os fiéis que marcado o início de seu pontificado.

 

"Deus perdoa sempre e tem misericórdia para todos", disse, antes de insistir: Deus "nunca se cansa de perdoar, somos nós os que cansamos de pedir perdão", repetindo a mesma mensagem de uma missa celebrada poucos minutos antes na capela de Santa Ana, dentro dos muros do Vaticano. "Saúdo cordialmente todos os peregrinos e agradeço por sua acolhida", afirmou, antes de receber mais aplausos.

O papa voltou a pedir aos fiéis que rezem por ele, como havia feito na quarta-feira, dia em que foi proclamado pontífice. Ele encerrou o Angelus com o desejo de "bom domingo e bom almoço", com a simplicidade que caracteriza os primeiros dias de seu comando da Igreja Católica.

"Sinto uma emoção indescritível. Vai trazer muita paz porque é muito humilde, muito espontâneo. Você sente que é mais próximo das pessoas. Com o papa anterior não se sentia isto", disse Gabriel Solís, um argentino de 33 anos, que como milhares de compatriotas assistiu a segunda aparição pública do pontífice eleito após a renúncia de Bento XVI. "Precisávamos de um papa que tivesse outro carisma", afirmou Sor Luisa, jovem religiosa chilena de Santa Marta, que exibia a bandeira de seu país.

Personalidades de todo o mundo já estão chegando a Roma para acompanhar a grande missa de entronização da próxima terça-feira, dia de São José, incluindo as presidentes da Argentina e do Brasil, além dos presidentes do Chile e México, assim como representantes dos Estados Unidos e das casas reais europeias.

A presidente argentina Cristina Kirchner terá uma audiência com o papa na segunda-feira às 12h50 (8h50 de Brasília) na Casa Santa Marta, onde o papa residirá até a mudança para o apartamento pontifício do Palácio Apostólico. As autoridades de Roma esperam a presença de um milhão de pessoas na cidade, onde já são vendidos os primeiros objetos com a imagem de Francisco.

Jorge Bergoglio, de 76 anos, que escolheu o nome Francisco em homenagem ao santo dos pobres São Francisco de Assis, oficiou durante a manhã uma missa em uma pequena igreja do Vaticano e saudou pessoalmente as centenas de pessoas reunidas na saída do templo e que gritavam "Viva o papa".

Desde sua eleição, o primeiro papa latino-americano da história tem surpreendido com improvisos e com seu senso de humor, deixando de lado em alguns momentos o roteiro e saudando com carinho as pessoas que aparecem em seu caminho, o que tem sido interpretado como o início de uma nova era para uma Igreja desacreditada por vários escândalos.

No sábado, diante dos jornalistas credenciados no Vaticano, expressou o desejo de uma "Igreja pobre e para os pobres". Uma das primeiras reformas que Francisco deve organizar é a da Cúria romana, o governo da Igreja, criticado por sua opacidade e centralismo.

O papa confirmou "provisoriamente" os dirigentes de todos dicastérios, os ministérios da Igreja Católica, para ter tempo antes de tomar uma decisão sobre os cargos, anunciou o Vaticano. Analistas acreditam que Francisco adiará a questão, que foi debatida nas congregações prévias ao conclave, para depois da Semana Santa, o momento mais intenso do ano para o papa.

Em 23 de março, véspera do domingo de Ramos, o papa visitará Bento XVI, com quem almoçará em Castelgandolfo, a residência papal a 30 km de Roma onde o papa emérito se instalou temporariamente desde sua renúncia em 28 de fevereiro.

Leia mais em AFP