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Papa diz desejar "igreja pobre para os pobres"

por Redação Carta Capital — publicado 16/03/2013 11h13, última modificação 06/06/2015 18h24
Papa revela inspiração em frase do brasileiro Claudio Hummes para o nome Francisco

O papa Francisco afirmou neste sábado 16 que deseja uma "Igreja pobre e para os pobres" e explicou como escolheu o nome com o qual exercerá o pontificado, ao receber jornalistas de todo o mundo para uma audiência na sala Paulo VI do Vaticano.

O pontífice argentino, que foi muito aplaudido pelos milhares de jornalistas presentes, explicou que São Francisco de Assis, o santo no qual se inspirou, era "o homem da pobreza, o homem da paz". "Como eu gostaria de uma igreja pobre e para os pobres", acrescentou o Papa, muito aplaudido neste momento. Francisco tem surpreendido o mundo com a mensagem pelo retorno da Igreja a sua essência, com um discurso de humildade e senso de humor.

O Papa Francisco explicou que o nome foi inspirado por um comentário do cardeal brasileiro Claudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, "um grande amigo", que sentou ao seu lado durante o conclave. "Quando a coisa estava ficando um pouco perigosa, ele me reconfortava. E quando os votos alcançaram os dois terços e os aplausos chegaram porque havia sido eleito papa, ele me abraçou, deu um beijo e disse: 'Não te esqueças dos pobres'", declarou o novo pontífice.

Em uma audiência de 30 minutos, o primeiro papa jesuíta da Igreja Católica também recordou que a instituição, desacreditada por vários escândalos, não tem "uma natureza política, e sim espiritual". "A Igreja é uma instituição humana, histórica, com tudo o que comporta, mas não tem uma natureza política, e sim essencialmente espiritual", explicou o pontífice em um discurso interrompido em vários momentos pelos aplausos. "É o povo de Deus, o santo povo de Deus, que caminha para o encontro com Jesus Cristo", destacou.

Também contou que, após sua eleição, recebeu a sugestão de utilizar o nome de Clemente XV, já que o papa Clemente XIV aboliu a Companhia de Jesus no fim do século XVIII. Um cardeal propôs o nome de Adriano, em referência a um papa que foi um grande reformista.

Na audiência com os jornalistas, uma tradição nos últimos papados após a eleição de um novo pontífice, Francisco agradeceu o trabalho dos milhares de jornalistas enviados ao Vaticano. "Vocês têm trabalhado muito, trabalhado muito", brincou em italiano o pontífice argentino, que repetiu o agradecimento pelo trabalho intenso desde o anúncio da renúncia de Bento XVI em 11 de fevereiro, oficializada no dia 28.

O tempo dirá se o espírito do santo dos pobres guiará seu pontificado, mas no momento o novo papa parece ter conquistado o mundo com sua simplicidade e carisma. O papa argentino, o primeiro latino-americano da história, pediu novamente o retorno à espiritualidade da instituição. "O coração da Igreja é Cristo, e não o sucessor de Pedro", disse, em referência ao Papa. "Sem ele, nem Pedro nem a Igreja existiriam e não teriam razão de ser", afirmou.

Após o discurso, saudou todos os funcionários dos serviços de comunicação do Vaticano, em especial o padre Federico Lombardi, o porta-voz da Santa Sé e o rosto mais visível da Igreja desde a renúncia de Bento XVI. Quase 5.600 jornalistas estavam credenciados para a cobertura do conclave que terminou com a eleição de Francisco.

Francisco visitará Bento XVI no dia 23 de março em Castelgandolfo, a residência papal próxima de Roma onde o papa emérito mora desde sua histórica renúncia. Antes, na próxima segunda-feira, o pontífice argentino receberá a presidente de seu país, Cristina Kirchner, com a qual mantém uma relação fria.

Ao mesmo tempo, o Vaticano finaliza os preparativos para a grande missa de entronização na basílica de São Pedro na próxima terça-feira, dia de São José. As autoridades esperam a presença de um milhão de peregrinos em Roma para acompanhar este grande acontecimento, que será precedido no domingo pelo primeiro Angelus do Papa Francisco.