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Países temem escalada de violência no Oriente Médio após ataque israelense

por Deutsche Welle publicado 01/02/2013 10h14, última modificação 01/02/2013 16h20
Síria ameaça retaliar e enviou carta de reclamações à ONU, que expressou "grande preocupação"

O ataque da Força Aérea israelense à vizinha Síria preocupa a comunidade internacional. O temor é de que o conflito entre os dois países se alastre por todo o Oriente Médio. A Síria defende retaliação a Israel e a possibilidade de um ataque surpresa.

O governo sírio enviou nesta quinta-feira (31/01) uma carta de reclamações à Organização das Nações Unidas (ONU). No comunicado, o ministro sírio do Exterior afirmou que houve rompimento do acordo de cessar-fogo firmado com Israel em 1974, além de "uma grave violação", que não deve se repetir.

 

 

O embaixador da Síria no Líbano, Ali Abdel Karim Ali, ameaçou Israel com represálias por causa do ataque aéreo. A televisão da mílicia xiita Hezbollah citou Ali afirmando que Damasco contempla "a possibilidade de um ataque surpresa". "A Síria tem o direito de defender a si própria, seu território e sua soberania", frisou o embaixador, acrescentando que a Síria vai tomar medidas cabíveis em um momento oportuno.

De acordo com informações do exército sírio, a Força Aérea israelense teria destruído nesta quarta-feira um centro de pesquisa militar de Jamraya, a noroeste da capital Damasco. Moradores confirmaram o ataque à agência de notícias AFP. Autoridades de defesa em Israel também afirmam que um comboio que transportava armas para o grupo Hezbollah teria sido destruído na fronteira com o Líbano, o que a Síria contesta.

O governo israelense não quis comentar os ataques. O fato de não confirmar nem desmentir a ação seria prática comum do governo de Israel, disse o deputado Zahi Hanegbi, homem de confiança do premiê Banjamin Netanyahu, em um comunicado transmitido pela rádio do exército. Israel sempre disse que "o limite teria sido ultrapassado se armas avançadas desenvolvidas pelo Irã, Coreia do Norte ou Rússia fossem parar nas mãos do Hezbollah".

A milícia radical xiita, aliada dos governos da Síria e do Irã, teria mais de uma vez atacado Israel com foguetes a partir do Líbano. Especialistas israelenses explicam que não somente armas químicas e biológicas seriam inaceitáveis nas mãos do Hezbollah, mas também foguetes de longo alcance. O mesmo foi declarado por um representante de alta patente dos Estados Unidos.

A Casa Branca advertiu o governo sírio, nesta quinta feira, para que não forneça armamentos ao grupo xiita. "A Síria não pode continuar a desestabilizar a região transferindo armamentos ao Hezbollah", disse o supervisor nacional de segurança, Ben Rhodes.

Consternação internacional
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou "grande preocupação" quanto às notícias do ataque realizado por Israel. "O secretário-geral convocou todos envolvidos a evitar tensões ou sua escalação, e pediu o estrito cumprimento das leis internacionais, em particular com respeito à integridade territorial e à soberania de todos os países da região", frisou o porta-voz da ONU, em comunicado.

A Rússia, um dos últimos aliados da Síria, expressou "profunda preocupação" por causa do ataque de Israel. "Se as informações se confirmam, seria uma grave violação da Carta da ONU", manifestou o Ministério do Exterior em Moscou. O ministro iraniano do Exterior, Ali Akbar, afirmou em comunicado se tratar de uma "agressão brutal".

O ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, alertou em Bruxelas para uma escalada de violência na região. A coalizão da esquerda no Senado alemão declarou que a política de Israel seria marcada por "intransigência e violência militar".

A Liga Árabe também condenou o ataque. O grupo libanês Hezbollah acusou Israel de fazer parte de uma "conspiração" internacional contra a Síria e pediu que a comunidade internacional e os países árabes condenem a atitude de Israel.

O embaixador sírio em Beirute disse ainda que os ataques "desmascaram a ligação entre a agressão e a guerra que devasta a Síria há dois anos", referindo-se à revolta deflagrada contra o presidente Bashar al-Assad em março de 2011.

A revolta transformou-se em insurgência depois que as forças de segurança lançaram uma onda de repressão violenta contra os manifestantes. As autoridades sírias, entretanto, afirmaram repetidamente ter se tratado de uma conspiração estrangeira contra seu país.

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