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País denuncia novos bombardeios e diz que Sudão declarou guerra

por AFP — publicado 24/04/2012 14h25, última modificação 24/04/2012 14h25
Diversas regiões petrolíferas foram atingidas, enquanto presidente sudanês diz que com o vizinho a negociação é 'com fuzis e balas'

CARTUM (AFP) - A aviação do Sudão bombardeou durante a noite várias regiões petrolíferas limítrofes com o Sudão do Sul, afirmou nesta terça-feira 24 o governador do Estado de Unidade. Em meio às tensões, o presidente sul-sudanês Salva Kiir assegurou que Cartum "declarou guerra" ao seu país.

Os aviões sudaneses bombardearam as localidades de Panakwach e Lalop, situadas em território sul-sudanês, e o posto fronteiriço de Teshwin, uma zona em litígio, onde nos últimos dias ocorreram combates entre as forças armadas dos dois países, afirmou o governador Taban Deng.

Os bombardeios continuaram até a madrugada desta terça-feira, acrescentou Deng, informando que os ataques mais intensos foram registrados a 25 km da linha de frente. "Há feridos que foram evacuados ao hospital de Benitiu. Alguns são fazendeiros, outros soldados."

Kiir se encontrava em visita a Pequim, onde indicou ao presidente chinês Hu Jintao que sua visita "ocorre em um momento crítico para a República do Sudão do Sul, já que nosso vizinho de Cartum declarou guerra" ao nosso país.

A visita à China pode ter um efeito positivo devido aos investimentos de Pequim na região, que obrigam as autoridades do gigante asiático a tentar acalmar os ânimos entre os dois países.

Durante a noite, o Sudão havia acusado o vizinho de querer "minar sua estabilidade" ao manter seu apoio aos rebeldes em seu território. "O governo do Sudão do Sul não respondeu aos chamados reiterados da comunidade internacional e mantém suas atividades hostis para minar a estabilidade e a segurança do Sudão", denunciou na segunda-feira 23 o ministério sudanês das Relações Exteriores em um comunicado.

O Sudão acusa Juba regularmente de apoiar os movimentos rebeldes que operam na região de Darfur (oeste), castigada por uma guerra civil, assim como nos Estados fronteiriços de Nil Bleu e de Cordofão do Sul, algo que seu vizinho desmente.

O ministério também fez referência à cidade de Talodi, em Cordofão do Sul, cujo controle afirmam ter tomado parcialmente no domingo 22 à noite os rebeldes do ramo Norte do Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM-N).

Os insurgentes atacaram esta cidade por vários dias no início de abril, antes que as tropas governamentais retomassem o controle.

O ministério das Relações Exteriores ressaltou que as forças armadas recorreriam ao "seu direito de auto-defesa" e "perseguiriam os agressores não importa onde estivessem".

Na segunda-feira, o presidente sudanês, Omar al-Bashir, havia afirmado que não negociaria com o Sudão do Sul, celebrando a reconquista da zona petroleira de Heglig sobre seu vizinho.

"Não se negocia com esta gente", havia declarado Bashir. "Com eles, negociamos com fuzis e balas", havia acrescentado, três dias depois de ter anunciado triunfalmente que suas forças expulsaram o exército do Sudão do Sul de Heglig, ocupada por 10 dias.

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