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Irã

País abate avião de espionagem em seu território

por Gabriel Bonis publicado 05/12/2011 15h00
Isolado da comunidade internacional, país envia novo recado ao Ocidente: não vai tolerar a quebra de sua soberania
Mahmoud Ahmadinejad

A ameaça de atacar o Irã é blefe arriscado e põe em risco o mundo todo, não somente Israel. Foto: Ruzbeh Jadidoleslam/AP

Isolado e em situação cada vez mais delicada perante parte das potências ocidentais, o Irã informou ter derrubado no domingo 4 um RQ-170 norte-americano, um avião espião não tripulado, que violou o espaço aéreo da fronteira leste do país. Em reação ao episódio, a agência de notícias oficial da República Islâmica Irna divulgou uma nota na qual uma fonte militar diz que o ocorrido “é um exemplo claro de agressão contra as fronteiras do Irã”.

O militar, não identificado pela Irna, completa que as forças iranianas "estão reparadas para responder a qualquer agressão”, não necessariamente limitada às fronteiras do país. Uma mensagem em tom de ameaça constantemente utilizada pelo Irã em questões de soberania, como forma de reafirmar sua capacidade de defesa ou retaliação a potenciais ataques.

O incidente não seria o primeiro, uma vez que o país declarou ter derrubado em janeiro deste ano dois aviões espiões, supostamente americanos, e ameaçou trazê-los a público, o que ainda não ocorreu. O site da rede de notícias árabe Al Jazeera aponta, no entanto, que em junho deste ano especialistas russos tiveram acesso aos equipamentos abatidos.

O Irã já havia reclamado em julho sobre os aviões, usados em missões de caráter mais sensível. O RQ-170 foi utilizado pelos EUA, por exemplo, para recolher informações em tempo real sobre o complexo de Osama Bin Laden em Abbotabad, no Paquistão, antes e depois da incursão que matou o terrorista neste ano.

Invasões anteriores ao território iraniano por meio de aeronaves espiãs estrangeiras não provocaram retaliações por parte de Teerã, mas as tensões atuais poderiam ser um fator perigoso de estímulo a essa postura.

O Irã sofre intensa pressão da comunidade internacional, principalmente dos EUA, devido ao seu programa nuclear. O país nega intenções militares, mas um recente relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aponta "sérias preocupações com as possíveis dimensões militares". Um parecer contestado pelo governo, que diz haver inverdades no trabalho do órgão das Nações Unidas.

A afirmação de uso pacífico das instalações nucleares não impediu novas sanções ao país por parte de EUA e União Europeia.  Os norte-americanos aprovaram na última semana medidas que visam isolar o Banco Central iraniano do sistema financeiro mundial. Já a União Europeia deve bloquear ativos e bens de 180 empresas e indivíduos do Irã por causa do programa nuclear, além de impedir a entrada destas pessoas na UE.

As novas sanções provocaram a invasão da embaixada britânica em Teerã na terça-feira 29. A ação que ganhou a apoio implícito do presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani. A autoridade disse que a revolta dos manifestantes foi motivada por “várias décadas de política de dominação do Reino Unido no Irã”.

O ato foi, porém, condenado pela comunidade internacional e outros países da União Europeia, como Alemanha, França e Espanha, que chamaram seus embaixadores. O Reino Unido fechou a sua representação no país e expulsou os diplomatas iranianos de Londres em retaliação. Por tabela, isolou ainda mais o Irã dos países centrais. Algo que pode ser determinante para o país vir a adotar uma postura mais dura em eventuais tensões na região.

Opções militares

O Irã focou sua própria força armada na produção de aeronaves para reconhecimento de territórios e outras atividades ofensivas. Há três anos, o país anunciou a construção de um avião de reconhecimento com autonomia para sobrevoar até mil quilômetros, o suficiente para chegar a Israel.

No último ano, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad revelou que o país havia construído domesticamente o primeiro avião com capacidade de ataque, apelidado de “embaixador da morte” para os inimigos do Irã.

Teerã tem se mostrado eficiente e relativamente pacífica, baseada em suas declarações de aeronaves espiãs derrubadas em seu território. Poucas semanas antes da tensão com Israel sobre um possível bombardeio a suas instalações nucleares, o Irã disse ter derrubado um avião com este perfil na cidade santa de Qom, próxima a estação nuclear de Fordu.

O diário israelense Haaretz, destaca, porém, que, apesar de uma recente explosão em uma base militar próxima a Teerã ter representado um grande retrocesso ao programa de mísseis do país, o Irã está longe de ter suas opções militares limitadas.

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