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Internacional

Nazista ou herói?

Rainha da Suécia tenta salvar a imagem do pai

por Redação Carta Capital — publicado 10/08/2011 11h04, última modificação 06/06/2015 18h16
Relatório indica que Walther Sommerlath, pai de Rainha Silvia, ajudou judeu a fugir para o Brasil. Ele era acusado de ser anti-semita

O relatório encomendado pela rainha Silvia da Suécia para esclarecer a ligação do seu pai com o nazismo durante a década de 30 na Alemanha indica que Walther Sommerlath teria ajudado o judeu Efim Wechsler a fugir para o Brasil. Até então, as evidências apontavam que Sommerlath teria se aproveitado do contexto anti-semita para se apropriar da empresa de Wechsler.

A ligação de Sommerlath, que conheceu a mãe de Silvia quando veio morar no Brasil em 1920, com o nazismo, é indubitável. Há algum tempo, os suecos questionavam o passado da rainha que, no entanto, nunca havia dado declarações suficientes sobre o tema. Uma reportagem de um canal sueco no ano passado revelou que o alemão teria tomado controle da empresa através de um programa de arianização promovido pelo partido nazista. Mas o documento encomendado por Silvia mostra que seu pai teria trocado a fábrica por uma plantação de café no Brasil, ajudando o judeu a vir para a América do Sul.

Um grupo de sobreviventes do holocausto afirma, no entanto, que são claras as evidências que Sommerlath teria colaborado com o nazismo. Um grupo americano afirma que o relatório carece de credibilidade, com lacunas. A rainha foi criticada também por explicações que deu ao episódio, em que afirmou que seu pai havia se unido ao partido para salvar sua carreira e que voltou a Alemanha, no auge do nazismo, pela alegria de ver a “terra-mãe” se recuperando das cinzas. Segundo os grupos de sobreviventes, esse é um discurso comumente utilizado para justificar a participação nas atrocidades da Alemanha nazista.

A fábrica de eletrodomésticos transformou-se em produtora de suprimentos militares até o fim da guerra, quando foi bombardeada. Com o fim do empreendimento, a família da rainha se mudou para o Brasil, onde tinha grandes plantações de café. Silvia Somerlath conheceu o futuro rei da Suécia Carl XVI Gustaf, durante os Jogos Olímpicos de Munique em 1972, quando trabalhava como intérprete. O casamento foi em 1972. O pai de Silvia morreu em 1990, mas sua ligação com o nazismo só foi revelada mais de dez anos depois.

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