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Em Madri

Padres são contra visita do papa

por Redação Carta Capital — publicado 10/08/2011 09h08, última modificação 11/08/2011 17h07
Para sacerdotes, os gastos estimados em 60 milhões de euros não são justificáveis em meio a cortes e desemprego

Mais de 100 padres de paróquias pobres de Madri se juntaram ao crescente protesto contra o custo da visita do papa Bento XVI à cidade na próxima semana.

Um fórum de sacerdotes estima que a passagem do religioso pela capital espanhola deva gerar gastos de cerca de 60 milhões de euros, sem incluir despesas com segurança. Segundo eles, o valor não é tolerável em um momento de cortes bilionários no setor público e de índices de desemprego  a 20%.

A visita de Bento XVI faz parte do Dia Mundial da Juventude, apoiado por mais de 100 empresas, incluindo a Coca-Cola, Telefônica e Santander. Porém, por meio de redes sociais, mais de 140 grupos já se posicionaram contra o evento e planejam protestos.

O maior alvo das queixas é a gratuidade do transporte público para os cerca de 500 mil peregrinos esperados para o evento, poucos dias após o metrô aumentar o preço das passagens em 50% e anunciar o corte de cerca de 40 milhões de euros do orçamento da educação.

Tática agressiva

Segundo uma recente pesquisa do Escritório Nacional de Estatísticas da Espanha, o número de fieis entre 18 e 24 anos no país caiu 56% nos últimos dez anos. Motivo pelo qual o diretor executivo do evento, Yago de la Cierva, justificou, ao jornal britânico The Guardian, o investimento no Dia Mundial da Juventude. “Os jovens gostam de grandes eventos e a igreja usa todas as ferramentas existentes para apresentar a mensagem de Jesus Cristo”.

Em novembro do ano passado, uma visita de Bento XVI a Barcelona também gerou polêmica. O custo estimado foi de meio milhão de euros, além dos valores com segurança, transporte e acomodação do papa e de outras mil autoridades que o acompanham, pagos pelo governo da Catalunha.

Na cidade, houve protestos contra o posicionamento da igreja Católica em relação à homossexualidade e à proibição do uso da camisinha como medida de prevenção à gravidez e doenças sexualmente transmissíveis.

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