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OTAN afirma que continuará seus ataques à Líbia até a queda de Muamar Kadafi

por Opera Mundi — publicado 16/04/2011 11h35, última modificação 16/04/2011 11h35
Os ministros de Relações Exteriores da OTAN encerraram nesta sexta, em Berlim, dois dias de reuniões sem grandes avanços concretos na campanha da Líbia, que ocupou a maior parte das discussões

A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) segue à espera de novos aviões por parte dos seus membros para manter o ritmo dos ataques em território líbio. A aliança afirmou nesta sexta-feira 15 que continuará liderando as operações militares de intervenção até a queda do regime liderado pelo coronel Muamar Kadafi.

Os ministros de Relações Exteriores da OTAN encerraram nesta sexta, em Berlim, dois dias de reuniões sem grandes avanços concretos na campanha da Líbia, que ocupou a maior parte das discussões.

Apesar de não ter obtido ainda ofertas perante sua reivindicação de mais aviões capazes de bombardear alvos terrestres, a aliança acredita que os países vão cumprir seu papel e vão fornecer tais unidades. O secretário-geral da Otan, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, disse nesta sexta-feira que existem "indicações" que isso ocorrerá "em um futuro muito próximo".

Na quinta-feira, a OTAN admitiu que seus comandantes queriam ter ao menos dez aviões de ataque suplementares para seguir com suas operações contra tanques, e outros alvos de Kadafi difíceis de alcançar sem causar efeitos colaterais.

No entanto, Espanha e Itália - dois dos parceiros que indicavam que seguiram os passos da França e Reino Unido - descartaram na quinta-feira a possibilidade de aumentar sua participação militar na Líbia.

Atualmente, só uma minoria de países autoriza seus aviões a lançar bombas contra solo líbio e se centram em tarefas de controle e vigilância.

A intenção da OTAN é manter a pressão sobre Trípoli enquanto Kadafi continuar no poder, como avançaram nesta sexta-feira em artigo conjunto entre os líderes da França, Estados Unidos e Reino Unido.

"A OTAN continuará sua operação enquanto houver uma ameaça sobre os civis, e é impossível pensar que essa ameaça pode desaparecer com Kadafi no poder", assegurou Rasmussen após seu encontro com os chanceleres europeus.

O grupo se reuniu nesta sexta-feira com o ministro russo, Sergey Lavrov, cujo país é muito crítico com a intervenção aliada na Líbia, o que voltou a deixar clara a decisão em Berlim.

Lavrov declarou que, para a Rússia, a OTAN ultrapassou em algumas ocasiões o mandato da resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU e lembrou que esta "não autoriza nenhuma ação para mudar o regime na Líbia", além de ressaltar também que a ideia de armar os rebeldes de alguns países violaria esse texto.

Além disso, considerou "importante" passar "urgentemente" ao plano político e advertiu perante o uso de uma "força militar excessiva" que poderia provocar baixas civis.

Rasmussen, por sua parte, destacou que a OTAN está "implementando, em conformidade estrita com a letra e o espírito", a resolução das Nações Unidas e descartou o envio de tropas terrestres à Líbia, algo que não contempla o texto.

A Aliança entrou em acordo com a União Europeia para realizar em breve uma reunião informal de embaixadores para analisar a situação no conflito líbio e a possível cooperação entre as duas organizações.

Fora da atualidade líbia, Rússia e a Aliança repassaram nesta sexta-feira suas complexas relações e acordaram em continuar avançando na coordenação de seus futuros sistemas de defesa antimísseis.

Além disso, pactuaram iniciar um fundo econômico para facilitar helicópteros às forças armadas do Afeganistão a fim de garantir a segurança no país, uma ideia que já tinham acordado previamente.

Os aliados mantiveram nesta sexta-feira encontros com os ministros de Relações Exteriores da Ucrânia, Konstantin Grischenko, e da Geórgia, Grigol Vashadze, a quem pediram mais reformas democráticas caso o país aspire ingressar algum dia na OTAN.

Histórico

A Líbia enfrenta, desde fevereiro, confrontos armados de grupo rebeldes que pedem o fim do regime de 41 anos do coronel Muamar Kadafi. As tropas opositoras, baseadas em Benghazi, segunda maior cidade do país, chegaram a conquistar boa parte do leste do país, e avançaram para perto da capital Trípoli. Houve acusações por parte de opositores de que o governo líbio teria atacado civis, no mesmo momento em que vários ministros e diplomatas teria desertado, assim como alguns militares. Entretanto, o governo, mais bem armado e em maior número, iniciou uma forte e rápida contraofensiva e fez com que os rebeldes recuassem de volta ao leste.

Antes que os rebeldes fossem encurralados em Benghazi, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas aprovou, no dia 17 de março, a Resolução 1.973, que autorizava uma zona de exclusão aérea no território líbio. Um dos trechos da resolução previa um cessar-fogo entre as tropas de governo e os rebeldes, além da utilização de “todos os meios necessários” para a “proteção dos civis”. Dois dias depois, teve início a intervenção aérea militar liderada por França, Estados Unidos e Reino Unido, que desde então passaram a atacar alvos militares do regime. Em nenhum trecho da resolução houve menção à queda do ditador Kadafi ou à preferência por um dos lados do conflito.

Até o momento, o país permanece dividido e em guerra. O governo de Kadafi comanda a porção leste do país desde Trípoli. Já o Conselho de Transição, órgão que representa os opositores e conta com o reconhecimento de parte da comunidade internacional como “representante oficial” do país, ocupam o oeste desde Benghazi. Os rebeldes só conseguem avanços significativos com a ajuda dos ataques da coalizão internacional, que estuda armá-los. As cidades de Brega e Misrata são as mais atingidas nos últimos dias pelos combates.

*Matéria publicada originalnente no Opera Mundi

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