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O sultão ganha sobrevida

por Gianni Carta publicado 14/10/2011 10h20, última modificação 14/10/2011 10h42
CartaCapital há muito tempo prevê um fim para Berlusconi tão desastroso quanto o de Mussolini. Será, talvez, menos trágico. Mas será um mundo melhor

Silvio Berlusconi ganhou um voto de confiança importante do parlamento italiano nesta sexta-feira (14). Com um placar de 316 votos contra 301, ele deve ser manter no cargo por mais alguns meses.

Porém, o sultão segue em apuros. Por quanto tempo mais ele deve ficar no cargo, diante de uma crescente oposição e de correligionários cada vez mais distantes? Mesmo no interior de seu Povo da Liberdade (PDL), uma facção comandada por Claudio Scajola, um ex-ministro forçado a renunciar no ano passado por conta de um enésimo escândalo de corrupção, tenta enxotar Berlusconi de seu cargo.

Mas, como sempre, o sultão resiste aos pedidos de eleições antecipadas. “No plano político não há alternativa a este governo”, disse Berlusconi nesta quinta-feira no Parlamento. “Os problemas do país não podem ser resolvidos por um governo engessado, que não tenha sido legitimado democraticamente para tomar decisões impopulares.”

A Itália tem uma dívida pública de 120% do PIB, uma das mais elevadas da Zona do Euro. O plano de austeridade que o governo de Berlusconi tenta implementar inclui cortes de bilhões de euros através de medidas como o aumento do IVA (Imposto Sobre Valor Agregado), alterações no sistema de aposentadoria e impostos sobre fortunas.

Por essas e outras, manifestações esparramam-se Bota afora – e o nível de popularidade do premier despencou para 24%. Além da crise econômica, o povo parece cansado de tantos escândalos judiciais e sexuais, que por anos a fio o primeiro-ministro conseguiu contornar. Até os ataques do sultão contra um esquema “midiático-judicial” perderam peso.

A nova crise a envolver Berlusconi teve início na terça-feira, quando sua coalizão não conseguiu passar, por um único voto, a prestação de contas. Essa foi uma derrota no mínimo grave. Por muito menos demitiu-se o premier Aldo Moro, em 1976.

No entanto, Berlusconi, similar a Mussolini durante o Fascismo, faz o que pode para se manter no poder, mesmo quando está a ruir. Para o premier, a derrota “não passou de um incidente técnico, certamente grave, mas sem consequência política”.

No entanto, se sua permanência no cargo depende de um voto de confiança parlamentar é porque a derrota de terça-feira já teve consequências políticas. Além do mais, foi a mais humilhante de todas as sofridas pelo sultão. Giulio Tremonti, ministro das Finanças, e Umberto Bossi, principal aliado de Berlusconi e líder da Liga Norte, não participaram da votação.

Tremonti disse que teve de ir a um funeral. Berlusconi, vale lembrar, tem atacado o ministro de Finanças para ganhar um pouco de popularidade. Além disso, Tremonti lhe faz sombra.

Por sua vez, Bossi, à imagem de Berlusconi, está enfrentando uma rebelião dentro da sua legenda.

A história se repete

CartaCapital há muito tempo prevê um fim para Berlusconi tão desastroso quanto o de Mussolini. A partir da aliança com Hitler, e o advento de leis raciais, formou-se uma facção no seio do Partido Fascista para depor o Duce. Mussolini fez derrubar o avião do primeiro líder dessa rebelião, Italo Balbo, em 1940, na Líbia.

O sucessor de Balbo foi o ex-ministro e embaixador em Londres Dino Grandi. Outro que se voltou contra o Duce foi seu próprio genro e ministro do Exterior, o conde Gian Galeazzo Ciano. Numa votação no Grande Conselho Fascista obtiveram maioria contra o Duce, e assim conseguiram tirar o ditador do cargo, em julho de 1943.

Libertado da prisão por um comando nazista, Mussolini criou a República de Salò ao norte de Milão, até a derrota final, em 1945.

No meio tempo vingou-se ao mandar executar Ciano e alguns outros traidores.

Mussolini foi assassinado em abril de 1945 por partigiani da Resistência italiana enquanto tentava fugir para a Suíça. CartaCapital supõe um final menos trágico para Berlusconi. De qualquer forma, sem Berlusconi o mundo será melhor.

*com informações da AFP

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