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Os Pacotes de Merkozy

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 08/12/2011 11h12, última modificação 09/12/2011 11h12
Merkel e Sarkozy deixam o continente numa encruzilhada entre capitalismo e democracia
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Merkel e Sarkozy deixam o continente numa encruzilhada entre capitalismo e democracia. Foto: Lionel Bonaventure/AFP

Nem os alunos mais comportados foram poupados: o bedel pôs toda a classe de castigo. Mais precisamente, na noite da segunda-feira, 5 de dezembro, a agência classificadora de risco Standard & Poor’s ameaçou de rebaixamento toda a Zona do Euro, incluindo a própria Alemanha. Juntamente com França, Holanda, Áustria, Finlândia e Luxemburgo, que também ainda detêm a classificação AAA, teve sua nota posta em revisão, com 50% de chances de ser rebaixada em 90 dias caso não haja novas medidas capazes de convencer seus analistas. A advertência foi estendida ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira, destinado a socorrer os países em dificuldade.

 

Apesar das queixas do partido governista alemão, que acusou a agência de querer desviar a atenção da dívida estadunidense, o objetivo mais aparente do anúncio é pressionar os governos europeus a aceitar medidas drásticas na cúpula europeia marcada para 8 e 9 de dezembro. Deve ter um forte impacto sobre a opinião pública alemã, que até agora vinha acreditando ingenuamente que seriam recompensados por seu comportamento austero, enquanto seus pecaminosos vizinhos do Sul estariam condenados ao inferno se não se arrependessem e se convertessem imediatamente. Mas a lógica da economia não é a da ética protestante: a Europa se salvará ou afundará como um todo.

 

O problema não é só esse: tanto a Standard & Poor’s quanto a dupla formada por Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, apelidada “Merkozy” pela imprensa europeia, pressionam a Europa por medidas eficazes apenas para aprofundar a crise. O Standard Bank, da África do Sul, compara a dupla ao protagonista do filme De Volta para o Futuro. É como se quisessem voltar no tempo ao Tratado de Maastricht, de 1992, para fazer valer retroativamente as normas de equilíbrio fiscal que jamais foram levadas

muito a sério, com a exigência de que os países europeus proíbam o déficit

público por norma constitucional.

 

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