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Organizações repudiam atitude xenófoba em Buenos Aires

por Adital — publicado 16/12/2010 11h34, última modificação 16/12/2010 11h34
Forças de segurança fizeram despejo violento no Parque Indoamericano. Duas pessoas morreram e vários outras ficaram feridas

Forças de segurança fizeram despejo violento no Parque Indoamericano. Duas pessoas morreram e vários outras ficaram feridas 

Por Tatiana Félix *
Duas pessoas foram assassinadas e várias outras ficaram feridas em consequência ao despejo violento realizado na semana passada, pelas forças de segurança argentinas no Parque Indoamericano de Villa Soldati, em Buenos Aires, na Argentina, onde viviam várias famílias de imigrantes. Diante do episódio, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) se pronunciou lamentando as expressões xenófobas contra a presença de imigrantes na capital do país.
A entidade também demonstrou preocupação com as declarações dadas por funcionários públicos, que vincularam a presença de estrangeiros com a ocorrência de atos de delinquência e de narcotráfico na cidade. Mas, ao contrário do que pensam estas pessoas, a OIM reconhece um vínculo entre a migração e o desenvolvimento econômico, social e cultural, e destaca que os direitos à liberdade de movimento das pessoas devem ser respeitados.
Em resposta às críticas dos funcionários do governo sobre s regulamentos migratórios vigentes no país, a OIM comentou que a política migratória argentina está baseada por princípios de solidariedade e igualdade, que promovem e protegem os direitos de todas as pessoas, e que por isso ganharam respeito e reconhecimento no mundo.
A Lei de Migração 25.871, aprovada neste ano, estabelece que "o migrante é um sujeito em plenitude de direitos e em condições de igualdade com o resto dos habitantes do país", e com o qual não existe nada que impeça os imigrantes de receberem a mesma assistência do Estado que os demais cidadãos.
Por se posicionar e agir contra o que estabelece a Constituição do país é que a atitude do governo de Buenos Aires foi fortemente rechaçada. Segundo a Constituição Argentina, o Estado deve "...promover o bem-estar geral, e assegurar os benefícios da liberdade (...), para todos os homens do mundo que queiram habitar em solo argentino".
A Universidade Popular Mães da Praça de Maio também se manifestou e repudiou as declarações xenófobas do Governador de Buenos Aires, Maurício Macri, que responsabilizou o governo nacional pela "imigração descontrolada" e pelo aumento da violência na cidade.
"Exigimos uma solução com respeito e senso de justiça pelas pessoas e suas identidades culturais, e responsabilizamos ao governo da Cidade Autônoma de Buenos Aires pelos riscos e intimidações que suas infelizes declarações puderam ocasionar contra cidadãos de países latino-americanos", declarou a Universidade.
Apesar dos conflitos e do anúncio do governo de que não legalizará as ocupações irregulares, centenas de pessoas voltaram a ocupar o prédio em Villa Soldati, indicando que o impasse ainda deve continuar.
 * Matéria originalmente publicada no site Adital

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