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Opositor venezuelano quer seguir modelo brasileiro se for eleito presidente

por AFP — publicado 27/03/2013 19h31, última modificação 27/03/2013 19h31
Henrique Capriles afirmou que pretende seguir o modelo de políticas sociais implementadas no Brasil caso seja eleito presidente
Capriles

Simpatizantes de Capriles protestam contra Maduro, sem data. Foto: ©afp.com / juan barreto.

CABIMAS, Venezuela (AFP) - O opositor venezuelano Henrique Capriles afirmou à AFP que pretende seguir o modelo de políticas sociais implementadas no Brasil caso seja eleito presidente e que trava uma "luta espiritual" a dias das eleições de 14 de abril em que enfrentará o candidato governista e presidente interino, Nicolás Maduro. Se vencer as eleições, Capriles promete seguir um modelo de esquerda baseado no brasileiro, que promova o desenvolvimento em uma economia de mercado aliado a planos sociais para tirar os venezuelanos da pobreza "de verdade", neste país com mais de 30% da famílias pobres.

Em sua segunda aposta pela Presidência do país sul-americano, depois de ter perdido para Hugo Chávez por 11 pontos percentuais nas eleições de outubro, Capriles afirma que tem "uma clara chance de vencer" estas eleições convocadas após a morte do mandatário, em 5 de março, vítima de um câncer.

"O social é minha prioridade como governante", afirma, ressaltando aos eleitores chavistas que "as conquistas" sociais em educação, saúde e habitação de Chávez continuarão em seu governo e que hoje esses avanços "estão em risco com estes que estão governando", referindo-se a Maduro.

O advogado de 40 anos disse estar lutando em uma "cruzada heróica e épica" contra o "poder do Estado", enquanto viajava em um ônibus para Maracaibo, no estado de Zulia (noroeste), depois de ter protagonizado em um dia dois atos de pré-campanha em Cabimas e Valera, no estado de Trujillo (oeste).

"Acredito que é necessário apelar à fé dos venezuelanos, preciso bastante disso (...) porque estamos enfrentando os abusos de poder, que no final se traduzem por atropelos, chantagem, medo, em usar todo o aparato midiático do Estado para tentar intimidar. (...) Isso transforma isto (a disputa eleitoral) em uma luta espiritual apegada à fé", disse Capriles.

O opositor denuncia os atos de Maduro transmitidos em cadeia de rádio e televisão de forma obrigatória, classificando-os de eleitoreiros, assim como uma sentença do Supremo Tribunal de Justiça que considerou que Maduro, então vice-presidente, ficasse encarregado da Presidência após a morte de Chávez, algo que o opositor chamou de "aberração".

Capriles, que menciona Deus com frequência em seus atos e se sente em meio a uma batalha entre o bem e o mal, encerrou a última terça-feira 26 de campanha rezando diante da imagem da Virgem Maria na Basílica de Nossa Senhora de Chiquinquirá, em Maracaibo.

Sua nova postura coincide paradoxalmente com o discurso de Maduro, repleto de referências religiosas e de exaltação da imagem de Chávez, em contraste com o da campanha eleitoral passada, focada em ataques ao desempenho do governo diante de problemas concretos, como a elevada inflação ou os altos índices de insegurança, temas que não abandonou.

Ao mesmo tempo, acusa o candidato governista de apelar para sua relação com o presidente Chávez porque não tem uma proposta própria para solucionar os problemas do país.

O líder opositor prefere não falar das pesquisas que o colocam 18 pontos abaixo de Maduro, como indicou recentemente o instituto Hinterlaces, que ele acusou de "fazer parte do comando de campanha" do candidato do governo. Essa empresa de pesquisas também previu sua derrota para Chávez, mas por uma diferença maior do que os 11 pontos que definiram a disputa.

No entanto, a vantagem de Maduro foi confirmada recentemente por uma pesquisa da Datanálisis, divulgada pelo banco que a encomendou, que o coloca 14 pontos à frente.

Capriles vê divisões no lado governista após o falecimento de seu grande líder. Ele afirma que Maduro é uma figura que "não agrada" a alguns seguidores de Chávez, que carece de liderança própria e de conhecimentos profundos de um país que conta com as maiores reservas de petróleo do planeta.

"Ele deve estar todos os dias acendendo uma vela para que eu decida (me retirar). Estou certo de que isso o agradaria, que gostaria disso, que eu deixasse o caminho livre", disse.

 

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