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Oposição venezuelana acusa Executivo de governar sob influência dos irmãos Castro

por AFP — publicado 16/01/2013 09h39, última modificação 16/01/2013 09h46
Para a oposição o novo governo eleito tranferiu "para os altos escalões do poder cubano os espaços onde são tomadas as decisões sobre a política e a vida cotidiana dos venezuelanos"

CARACAS (AFP) - A oposição venezuelana acusou o Executivo de governar a partir de Cuba, sob a influência dos irmãos Castro, enquanto o governo defende que as habituais viagens da cúpula chavista a Havana são para informar e receber instruções do presidente Hugo Chávez.

"O governo venezuelano se muda para Havana para tomar decisões, e não com o presidente porque evidentemente ele não está em condições de participar dessas reuniões, mas sim com os irmãos (Fidel e Raúl) Castro", criticou na segunda-feira 14 o opositor Leopoldo López, do Partido Vontade Popular, membro da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD).

"Para nós isto é uma ingerência e um desrespeito à soberania nacional", declarou López em entrevista à imprensa local.

O vice-presidente Nicolás Maduro e outros membros do governo, entre eles o presidente do Parlamento, Diosdado Cabello, retornaram à Venezuela após uma visita a Chávez, que segue hospitalizado desde sua quarta cirurgia contra o câncer em 11 de dezembro em Cuba.

Isso mostra que "transferiram para os altos escalões do poder cubano os espaços onde são tomadas as decisões sobre a política e a vida cotidiana dos venezuelanos", denunciou também a direção do Partido Primeiro Justiça, do líder da oposição Henrique Capriles.

Desde que Chávez deu início em Cuba ao tratamento do câncer detectado em junho de 2011, a oposição tem criticado o presidente por governar fora do país e rejeitado a aliança estreita entre Havana e Caracas, iniciada entre Fidel e Chávez, desde sua chegada ao poder em 1999.

Capriles, que perdeu a eleição presidencial para Chávez em 7 de outubro do ano passado, descreveu como uma "piada" o fato de o presidente governar de Cuba através de sua conta no Twitter (@chavezcandanga), meio utilizado pelo mandatário para se manter em contato com o país e até mesmo anunciar decisões do governo.

Mas o governo nega essas acusações.

"Alguns dizem que somos uma colônia de Cuba. Realmente é uma ofensa contra Cuba e Venezuela", rebateu Maduro na terça-feira 15, argumentando que os dois países sempre lutaram pela sua independência.

O chefe da campanha do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Jorge Rodriguez, defendeu que "o comando político" venezuelano em Cuba recebe "instruções de seu comandante", que está "consciente" e capaz de falar, e pode relatar a "realidade que o país está vivendo".

Rodriguez também criticou a oposição por lançar "lemas anti-cubanos". "O que Cuba tem dado aos venezuelanos? Irmandade, proximidade, apoio. Agora cuida solicitamente e zelosamente da saúde do nosso comandante presidente", disse.

O analista político Farith Fraija considera que "se o governo toma decisões fora do país, isso não desacredita aqueles que estão tomando as decisões" e não "significa uma transferência de poderes" do Estado para outra nação.

Já o cientista político Angel Alvarez lembra que, segundo a Constituição venezuelana, a sede dos poderes públicos está em Caracas, considerando que "Chávez tem sistematicamente violado isso desde que assinou decretos em Cuba".

Aliança com Cuba
Havana e Caracas mantêm uma aliança que desde 2000 permite que os cubanos recebam cerca de 130.000 barris de petróleo em condições preferenciais. Em troca, o governo cubano tem fornecido milhares de profissionais para o sucesso de programas sociais do governo venezuelano. Além disso, Chávez tem se beneficiado dos conselhos de Fidel, a quem considera seu "pai político".

A oposição venezuelana critica há muito tempo o que considera uma interferência dos cubanos nos assuntos da Venezuela, assim como sua presença nas forças armadas, denunciada pelo general Antonio Rivero ao se aposentar em 2010.

Chávez também é criticado por fazer tratamento em Havana, considerando que na Venezuela também há oncologistas especializados.

Alvarez explicou que a decisão de ir a Havana deu-se porque "é o único lugar que garante sigilo absoluto sobre o estado real da sua doença. Em nenhum outro país teria alcançado esse nível de sigilo".

Chávez, de 58 anos, continua a sofrer de insuficiência respiratória depois de ter sido submetido a uma delicada cirurgia, mas a evolução do seu quadro de saúde é "favorável", segundo o último boletim médico divulgado no domingo pelo governo, que nunca revelou o tipo de câncer que o presidente tem.

Depois de ser reeleito em outubro, Chávez deveria assumir seu novo mandato em 10 de janeiro, mas o Supremo Tribunal confirmou na semana passada que adiaria a posse até que o mandatário estivesse em condições.

O Supremo Tribunal Federal confirmou na semana passada o governo no cargo após 10 de janeiro.

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