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Oriente Médio

Oposição egípcia exige renúncia de ministro do Interior

por Deutsche Welle publicado 03/02/2013 13h52, última modificação 03/02/2013 14h13
Vídeo com imagens de violência cometida pela polícia desencadeia onda de protestos no Egito. Manifestantes atacam com pedras e garrafas a caravana de carros que acompanhava primeiro-ministro

Vídeo com imagens de violência cometida pela polícia desencadearam onda de protestos no Egito. Manifestantes atacaram com pedras e garrafas a caravana de carros que acompanhava primeiro-ministro. As imagens em vídeo mostram como um policial espancou um homem nas imediações do Palácio Presidencial, no Cairo, e arrancou a roupa dele. A agressão se deu durante os protestos da oposição na sexta-feira 01. A vítima foi arrastada pelo chão, nua, e jogada posteriormente em um camburão. Segundo informações fornecidas pela Promotoria de Justiça, trata-se de um operário de 50 anos, que foi perseguido pelos policiais por portar "18 coquetéis molotov e um galão de gasolina".

O presidente egípcio, Mohammed Morsi, afirmou estar "tomado pela dor dessas imagens chocantes". Segundo o porta-voz do governo, Yasser Ali, os policiais violaram tanto a dignidade da vítima quanto os direitos humanos. O Ministério do Interior iniciou um processo de investigação, de acordo com as autoridades, embora o incidente tenha sido declarado "um caso isolado". O próprio ministério desculpou-se pelo ocorrido, insistindo que se tratou de um episódio único.

Oposição: desculpas não bastam
Khaled Daud, porta-voz da Frente de Salvação Nacional, afirmou que um incidente como este deveria levar à renúncia imediata do ministro do Interior, Mohammed Ibrahim. Segundo Daud, o vídeo mostra cenas horríveis e degradantes, e uma simples desculpa do ministério não basta para encerrar o debate a respeito. A Frente de Salvação Nacional é o principal grupo de oposição no Egito. Nas redes sociais também foi desencadeada uma onda de discussões sobre o ocorrido.
Há aproximadamente um ano, um caso semelhante causou a indignação da população egípcia. Na época, quando os militares ainda estavam no poder, foi divulgado na internet um vídeo mostrando como uma manifestante era espancada pela polícia, tendo sido deixada parcialmente desnuda.

Mais violência

Segundo informações da emissora privada de televisão Dream Live, manifestantes atacaram com pedras e garrafas a caravana de carros que acompanhava o primeiro-ministro Hisham Kandil quando ele pretendia ir para a Praça Tahrir. Em seguida, Kandil mudou sua rota e foi embora.

Morsi e a Irmandade Muçulmana condenaram oficialmente os tumultos da sexta-feira nas imediações do Palácio Presidencial. O porta-voz do governo conclamou outros grupos políticos a condenarem os ataques à sede do governo. A Irmandade Muçulmana acusou a oposicionista Frente de Salvação Nacional de legitimar a violência no país.
"Como essas pessoas, que não conseguem nem manter seus próprios adeptos sob controle, poderão governar um país?", questionaram os islâmicos tendo em vista as exigências da oposição em prol da formação de um governo de unidade nacional. Os tumultos da sexta-feira no Cairo deixaram um morto e 102 feridos. Ocorreram outros grandes protestos nas cidades de Alexandria, Port Said e Mahalla al-Kubra.

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