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Internacional

Equador

Oposição e aliados defendem dissolução do congresso e novas eleições

por Opera Mundi — publicado 30/09/2010 17h58, última modificação 30/09/2010 17h58
“Acredito que o fim da tirania de Correa está próximo", afirmou o ex-presidente Lúcio Gutiérrez, deposto em 2005

Por Daniella Cambaúva e Pedro Aguiar*

Políticos da base governista e membros da oposição no Equador, inclusive o ex-presidente do país Lucio Gutiérrez (2003-2005), pediram que o parlamento seja dissolvido e que as eleições presidenciais sejam antecipadas para solucionar a crise política desatada no país nesta quinta-feira (30/9), depois que uma rebelião de policiais gerou especulações de tentativa de golpe de Estado. 
“Acredito que o fim da tirania de Correa está próximo", afirmou Gutiérrez ao assegurar que o “Socialismo do Século XXI que o presidente tenta empreender é insustentável ao tempo”, disse por telefone à agência de notícias espanhola Efe. 


“Acredito que o fim da tirania de Correa está próximo", afirmou Gutiérrez ao assegurar que o “Socialismo do Século XXI que o presidente tenta empreender é insustentável ao tempo”, disse por telefone à agência de notícias espanhola Efe.

Gutiérrez, que está em Brasília, disse que Correa “é o único responsável” pela crise e pelo caos pelo qual passa o país. O ex-presidente acusou também o governo de corrupção e abuso. 

Lucio Gutiérrez governou o país entre janeiro de 2003 e abril de 2005, quando foi derrubado por manifestações populares. Hoje, ele afirmou que a solução para a crise é convocar uma morte cruzada, dissolvendo o Parlamento e convocando as eleições antecipadas. 

Lideranças partidárias equatorianas ouvidas pelo Opera Mundi, tanto entre os governistas quanto na oposição, também defendem a dissolução do parlamento como uma solução para a crise, embora não acreditem na hipótese de tentativa de golpe de Estado. 

Para o professor Luís Villacis Maldonado, dirigente do MPD (Movimento Popular Democrático), de oposição à esquerda, os distúrbios de hoje são uma "revolta de setores populares" contra o governo que, segundo ele, agiu de forma "prepotente" ao promover a nova legislação sobre o funcionalismo público. 

"Não há tentativa de golpe. O que há é uma revolta de setores populares contra os desmandos e a atitude ditatorial por parte desse governo ao mudar benefícios trabalhistas. O que está acontecendo é um protesto exigindo que o governo tome um rumo e que o presidente reconheça que foi derrotado politicamente", afirma. 

Já um dirigente do Partido Socialista, integrante da base de apoio a Correa, culpou o próprio Rafael Correa pela desestabilização. Mas, embora tenha se mostrado cético quanto à possibilidade de golpe, também disse recear que a oposição faça uso político do descontentamento de policiais e servidores. 

"O que me preocupa é que possa acontecer um enfrentamento. Não descartaria que haja manipulação dos rebelados, sobretudo sobre os fatos posteriores. Nesse caso, a oposição estará aproveitando as circunstâncias para tirar vantagem política", especulou. 



Apoio a dissolução


Villacis concorda, embora ressalte que qualquer mudança violenta de governo seria ainda mais grave. 

"Não há normalidade democrática porque o próprio presidente violou varias vezes a constituição ao mexer nos direitos dos trabalhadores" 

Ambos, no entanto, disseram que apoiariam a dissolução conjunta das duas casas do congresso e convocação antecipada de eleições, medida prevista no artigo 148 da constituição equatoriana e conhecida no país como "morte cruzada".

*Matéria originalmente publicada no Opera Mundi.