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Operação na Líbia: declarações confusas e as primeiras críticas externas

por Redação Carta Capital — publicado 21/03/2011 14h59, última modificação 21/03/2011 14h59
Britânicos e americanos fazem afirmações contraditórias sobre a intenção de matar Kaddafi; China e Rússia passam a criticar abertamente as causas e efeitos do bombardeio

A coordenação das forças que iniciaram no sábado 19 o ataque à Líbia contra o ditador Muammar Kaddafi não tardou a dar sinais de falha. Declarações desencontradas sobre o que fazer com o líder que resiste em Trípoli foram dadas nesta segunda-feira.

Além da aparente indefinição entre os que participam dos bombardeios, as abstenções cautelosas de Rússia e China na votação do Conselho de Segurança que autorizou o ataque transformaram-se em oposição aberta à forma como a invasão vem ocorrendo.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, declarou que Kaddafi não era um alvo direto da operação. Gates, que viajou nesta segunda para a Rússia, disse que seria "insensato" acrescentar a morte do líder líbio ao rol de objetivos da operação, batizada de "Aurora da Odisséia".

Contra o que afirmou Gates, o secretário de Defesa britânico, Liam Fox, incluiu a cabeça de Kaddafi na lista de prioridades das forças conjuntas de ataque. "Kaddafi é um alvo legítimo", afirmou. Com a confusão armada, o governo britânico retificou as declarações nesta segunda-feira, dizendo que matar Kaddafi não é uma prioridade.

Enquanto americanos e britânicos batem cabeça sobre a liderança da operação e a intenção de matar Kaddafi, o primeiro-ministro russo Vladimir Putin partiu para a crítica aberta à operação. Durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU que autorizou o bombardeio, o representante da Rússia, Vitaly Churkin, justificara a abstenção do país dizendo que as consequências de uma ação militar na Líbia eram imprevisíveis e poderiam desestabilizar a região.

Putin elevou o tom das críticas nesta segunda, declarando que as forças ocidentais conjuntas que operam no Mediterrâneo são uma reedição das Cruzadas católicas. O primeiro-ministro afirmou estar "preocupado" com o resultado da operação e condenou a resolução 1973 da ONU que deu sinal verde para as manobras.

A China, que também se absteve na votação da resolução 1973, manifestou-se em tom semelhante ao de Putin. Uma porta-voz do governo de Pequim declarou que o país "lamenta o uso da força pelos aliados na Líbia". O representante chinês na reunião do Conselho de Segurança, Li Baodong, justificou o voto dizendo que o país preferia "meios pacíficos" para lidar com a crise líbia. Além de China e Rússia, houve mais três abstenções na votação da resolução: Brasil, Índia e Alemanha.

O bombardeio contra as forças leais a Kaddafi continua. Com mísseis lançados de navios e bases no Mediterrâneo e ataques aéreos, os países envolvidos na operação já são 11: Estados Unidos, França, Reino Unido, Espanha, Itália, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Noruega, Catar e Emirados Árabes Unidos.

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