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Operação militar na Argélia acaba com mortos e feridos

por Redação Carta Capital — publicado 17/01/2013 17h50, última modificação 17/01/2013 17h50
Exército invadiu campo de exploração de gás tomado por radicais islâmicos. Trabalhadores argelinos e estrangeiros estariam mortos

Uma operação de resgate realizada pelas forças armadas da Argélia nesta quinta-feira 17 se transformou em um banho de sangue. Segundo informações oficiais, os militares cercaram um campo de exploração gás tomado por radicais islâmicos no dia anterior e invadiram o complexo quando os sequestradores tentaram fugir. Um balanço oficial não foi divulgado, mas dezenas de pessoas, incluindo reféns argelinos e ocidentais, teriam morrido.

O drama teve início na quarta-feira 16, quando os radicais islâmicos tomaram o campo, localizado em uma área desértica remota, no sul do país. Trabalhadores locais, além de estrangeiros de países como Estados Unidos, Reino Unido, Noruega e Japão estavam no local. O grupo disse ser do Mali, país vizinho da Argélia, e ter realizado o sequestro para reagir à "cruzada das forças francesas no Mali". Neste mês, a França enviou tropas para o país africano para ajudar o governo central a combater o avanço de radicais islâmicos que tomaram o norte do país em 2012 e estariam rumando para a capital.

O fim da operação foi anunciado às 21 horas locais (18 horas de Brasília) pela agência de notícias oficial da Argélia, a APS. Horas antes, o ministro argelino das Comunicações, Mohamed Said, confirmou que alguns reféns morreram ou ficaram feridos durante o ataque, mas não mencionou números. Vários outros reféns teriam sido libertados na operação. Um porta-voz do grupo islamita disse à agência Nouakchott Information, da Mauritânia, que 34 reféns e 15 sequestradores teriam morrido na operação. O chefe do grupo islâmico, Abu Al Baraa, estaria entre os mortos, segundo a fonte.

Os sequestradores se apresentaram como os "Signatários pelo Sangue", nome da katina (unidade combatente) do argelino Mokhtar Belmokhtar, apelidado de "o caolho" ou "Senhor Marlboro" por seus supostos tráficos de cigarros. Embora tenham assegurado vir do Mali, situado a mais de 1.200 km de distância, o ministro argelino do Interior desmentiu e afirmou que eram da região e desejavam "sair do país com os reféns, o que não é aceitável para as autoridades argelinas".

Segundo um funcionário local que pediu para ter sua identidade preservada e teve acesso às conversas com os sequestradores, eles "pedem a libertação de 100 terroristas detidos na Argélia" em troca dos reféns. De acordo com especialistas, em vista de sua complexidade, semelhante operação foi preparada há tempos, antes da intervenção francesa no Mali, apesar de ser apresentada como represália à guerra que Paris trava no país africano.

Reações internacionais

O presidente francês, François Hollande, apoiou a ação em andamento, embora a tenha classificado de operação dramática. "O que acontece na Argélia justifica ainda mais a decisão que tomei em nome da França de ajudar o Mali em conformidade com a Carta das Nações Unidas e a pedido do presidente desse país", assinalou Hollande. "Trata-se de por fim a uma agressão terrorista e permitir que os africanos se mobilizem para preservar a integridade territorial de Mali".

O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, considerou que os países europeus poderão colocar à disposição soldados para a intervenção contra os islamitas armados no Mali. A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, também afirmou que vários países europeus não excluem um apoio militar à França, sem mencionar envio tropas ou soldados.

Já o primeiro-ministro britânico, David Cameron, lamentou não ter sido informado da operação militar do exército argelino. "O governo argelino está a par que teríamos preferido ser consultados com antecedência", enfatizou um porta-voz do governo.

O Japão, por sua vez, exigiu que Argélia cesse imediatamente a operação militar. Um porta-voz do governo informou que o primeiro-ministro Shinzo Abe, que se encontra em Bangcoc, ligou para seu colega argelino para expressar sua "profunda preocupação" a propósito da operação militar em curso.

Com informações da AFP

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