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Líbia

ONU pede cessar-fogo na Líbia e pretende levar ajuda humanitária a Trípoli

por Opera Mundi — publicado 18/04/2011 09h48, última modificação 18/04/2011 09h48
Ban Ki-moon defendeu a presença de forças estrangeiras no país e criticou as forças de Muamar Kadafi, sem mencionar o número de mortos em consequência dos ataques da OTAN

Em Budapeste, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, pediu nesta segunda-feira 18 o cessar-fogo na Líbia e ressaltou a necessidade da criação de um centro humanitário na capital, Trípoli.

"Temos três objetivos: primeiro um cessar-fogo imediato e efetivo, segundo estender nossa ajuda humanitária aos que necessitam, terceiro continuar o diálogo político e a busca de uma solução política", disse Ki-moon a jornalistas durante uma visita oficial de três dias a Hungria.

Na entrevista, ele afirmou que o país passa por uma “grave crise humanitária”, recordando que "mais de meio milhão de pessoas migraram da Líbia e milhares não têm asseguradas as condições mínimas para viver".

De acordo com a agência de notícias Efe, a ONU chegou a um acordo com o governo líbio para a prestação de ajuda humanitária. Junto da Cruz Vermelha, a ONU já estabeleceu em Benghazi uma base para assistir 500 mil pessoas que fugiram das áreas de conflito. Para o secretário-geral, é necessário criar um centro também na capital.

No domingo, o porta-voz do governo líbio Moussa Ibrahim afirmou que esse acordo com a ONU prevê também a criação de postos de ajuda humanitária em Misrata, reduto da oposição.

Intervenção

Ban Ki-moon defendeu a presença de forças estrangeiras no país e criticou as forças de Muamar Kadafi, sem mencionar o número de mortos em consequência dos ataques da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

"Vista a magnitude da crise, se os confrontos prosseguirem, é absolutamente necessário que as autoridades líbias parem os combates e de matar as pessoas", insistiu. Ele afirmou também que por isso que o Conselho de Segurança da ONU decidiu intervir no país, conforme a resolução aprovada no dia 17 de março, que autoriza uma zona de exclusão aérea no território líbio.

O secretário-geral da ONU pediu ainda uma ação internacional "combinada e em coordenação com o povo líbio”. Na sexta-feira (15/04), a OTAN aliança afirmou que continuará liderando as operações militares de intervenção até a queda de Kadafi.

Ontem, o porta-voz Moussa Ibrahim afirmou que o envolvimento da Al-Qaeda no conflito da Líbia está provadO. Segundo ele, um ex-dirigente do grupo terrorista estava a caminho da cidade rebelde de Misrata ao lado de um grupo de combatentes.

"O envolvimento da Al-Qaeda no conflito na Líbia é provado a cada dia", declarou Ibrahim, citado pela agência AFP.

"Pensamos que seria muito perigoso que estas pessoas se instalassem no país, controlassem seu futuro e sua imensa riqueza, a poucos passos da Europa", completou

De acordo com outro porta-voz, Abdelhakim Al Hasadi, "um dirigente muito conhecido da Al-Qaeda", deixou Benghazi para seguir a Misrata a bordo de um barco, ao lado de "25 combatentes bem treinados". "Infelizmente, a coalizão está a par e está disposta a deixar passar os membros da Al-Qaeda de Benghazi a Misrata", lamentou.

No fim de março, o comando militar da OTAN informou ter detectados sinais da possível presença de militantes da Al-Qaeda entre os rebeldes líbios, que sempre negaram tal presença.

Histórico

A Líbia enfrenta, desde fevereiro, confrontos armados de grupo rebeldes que pedem o fim do regime de 41 anos do coronel Muamar Kadafi. As tropas opositoras, baseadas em Benghazi, segunda maior cidade do país, chegaram a conquistar boa parte do leste do país, e avançaram para perto da capital Trípoli. Houve acusações por parte de opositores de que o governo líbio teria atacado civis, no mesmo momento em que vários ministros e diplomatas teria desertado, assim como alguns militares. Entretanto, o governo, mais bem armado e em maior número, iniciou uma forte e rápida contraofensiva e fez com que os rebeldes recuassem de volta ao leste.

Antes que os rebeldes fossem encurralados em Benghazi, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas aprovou, no dia 17 de março, a Resolução 1.973, que autorizava uma zona de exclusão aérea no território líbio. Um dos trechos da resolução previa um cessar-fogo entre as tropas de governo e os rebeldes, além da utilização de “todos os meios necessários” para a “proteção dos civis”. Dois dias depois, teve início a intervenção aérea militar liderada por França, Estados Unidos e Reino Unido, que desde então passaram a atacar alvos militares do regime. Em nenhum trecho da resolução houve menção à queda do ditador Kadafi ou à preferência por um dos lados do conflito.

Até o momento, o país permanece dividido e em guerra. O governo de Kadafi comanda a porção leste do país desde Trípoli. Já o Conselho de Transição, órgão que representa os opositores e conta com o reconhecimento de parte da comunidade internacional como “representante oficial” do país, ocupam o oeste desde Benghazi. Os rebeldes só conseguem avanços significativos com a ajuda dos ataques da coalizão internacional, que estuda armá-los. As cidades de Brega e Misrata são as mais atingidas nos últimos dias pelos combates.

*Matéria publicada originalmente no Opera Mundi

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