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Guerra civil

ONU investigará uso de armas químicas na Síria

por AFP — publicado 21/03/2013 17h21, última modificação 21/03/2013 17h31
Secretário-geral Ban Ki-moon pediu rapidez para apurar suposto uso destas armas em ataque próximo a Aleppo

NOVA YORK (AFP) - A Organização das Nações Unidas (ONU) abrirá uma investigação sobre o suposto uso de armas químicas durante um ataque na Síria, disse nesta quinta-feira 21 o secretário-geral do organismo, Ban Ki-moon.

"Quero que esta investigação comece logo que for praticamente possível", disse Ban a jornalistas. A investigação se concentrará em um suposto ataque com armas químicas registrado na terça-feira 19 perto da cidade síria de Aleppo.

Ban reafirmou que a utilização de armas químicas por um ou outro campo na Síria seria um crime monstruoso e um crime contra a Humanidade, em qualquer circunstância.

O governo e a oposição armada sírios se acusam mutuamente de terem empregado armas químicas nas regiões de Aleppo (norte) e Damasco. O governo de Bashar al-Assad formulou na quarta-feira 20 à ONU um pedido oficial para que os fatos sejam investigados.

Ban explicou que, diante do pedido de um Estado membro do organismo, é obrigado a investigar. "Estou ciente de que existem outras acusações por casos similares", disse.

A oposição acusa o governo de ter utilizado armas químicas em Khan al-Assal, nas proximidades de Aleppo, assim como em Ataybah, a leste de Damasco.

Paris, Londres e Washington anunciaram sua intenção de solicitar uma investigação à ONU sobre todas as denúncias relacionadas ao uso de armas químicas na Síria.

Em uma carta comum que deveria ser transmitida na manhã desta quinta-feira a Ban, França e Grã-Bretanha pedem que a ONU "inicie urgentemente uma investigação" sobre essas denúncias.

A carta, da qual a AFP obteve uma cópia, se refere aos casos de Khan al-Assal e Ataybah e menciona também "acusações do emprego de armas químicas em Homs (centro da Síria) no dia 23 de dezembro de 2012".

A iniciativa franco-britânica provocou tensões na quarta-feira com a Rússia, cujo embaixador na ONU, Vitali Churkin, que preside o Conselho de Segurança em março, insistiu para que apenas as denúncias contra a oposição síria sejam investigadas, acusando Paris e Londres de tentar eliminar o pedido do governo de Damasco.

Após o anúncio de Ban, Churkin se disse satisfeito. "É uma decisão valente e muito boa", comentou.

Já a embaixadora americana na ONU, Susan Rice, disse que seu país "apoia uma investigação sobre todas as acusações críveis, sem exceção". Ela advertiu Damasco de que "haverá consequências se (o presidente sírio) Bashar al-Assad e aqueles que seguem suas ordens tiverem cometido o erro de utilizar armas químicas ou não tiverem respeitado sua obrigação" de mantê-las em um local seguro.

Durante sua visita a Israel na quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, advertiu novamente o regime de Assad sobre esse ponto e se disse muito cético em relação à possibilidade de que a oposição síria tenha recorrido a armamento químico.

Ban considerou que "a cooperação plena de todas as partes", incluindo um acesso irrestrito ao território sírio, será essencial para o trabalho das Nações Unidas.

O chefe da ONU informou ainda que a missão que será responsável pela investigação será preparada por seus serviços, em cooperação com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e com a Organização para a Proibição de Armas Químicas. Os preparativos estarão relacionados com o mandato global da missão, sua composição e as condições de segurança.

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