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Internacional

Organização Mundial de Comércio

Itamaraty tem estrutura focada em conflitos da OMC

por Gabriel Bonis publicado 08/05/2013 15h51
Ministério das Relações Exteriores mantém área especializada para posicionar Brasil entre negociadores mais importantes do comércio mundial
Steve Snodgrass/Flickr
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Brasil venceu batalha contra subsídios dos EUA a produtores de algodão

A escolha na terça-feira 7 do brasileiro Roberto Azevedo como diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC) indica a influência crescente dos países emergentes na entidade. Revela também um esforço do Ministério das Relações Exteriores em posicionar o Brasil entre os negociadores mais importantes do comércio mundial por meio de uma atuação ativa na OMC.

Como parte desta estratégia, o Itamaraty mantém uma equipe de diplomatas focada apenas no comércio exterior. Em sua estrutura, o ministério abriga a Subsecretaria-Geral de Assuntos Econômicos e Financeiros, onde trabalham 47 diplomatas divididos em diferentes áreas, desde departamentos econômicos a negociações internacionais.

Dentro da subsecretaria funciona a Coordenação-Geral de Contenciosos, que conta com oito diplomatas especificamente responsáveis em defender o Brasil em causas da OMC. Além disso, a delegação do Brasil junto à OMC em Genebra (Suíça), sede do órgão, conta com 17 diplomatas. “A área de contenciosos é fundamental para ajudar a projetar o desenvolvimento econômico pelo qual o Brasil passou nos últimos anos", diz Daniela Arruda Benjamim, chefe da coordenação-geral de Contenciosos do Itamaraty. "A atuação do Itamaraty é fundamental para mostrar esses avanços e assegurar que a projeção brasileira tenha o peso devido no cenário global”, afirma.

Junto ao grupo de diplomatas qualificados para atuar no sistema internacional de comércio e intervir em favor dos interesses brasileiros na OMC, o ministério mantém diálogos com escritórios de advocacia especializados de diversos países, inclusive realizando trocas de experiências com funcionários do órgão.

“O Brasil tem um contingente de diplomatas de carreira muito competentes, o que nos dá vantagem sobre países onde essa estrutura não existe”, diz Evaldo Alves, coordenador do curso de Negócios Internacionais e Comércio Exterior da FGV. “Isso mostra uma profissionalização da área, com pessoas especializadas em comércio.”

Segundo Alves, o time brasileiro, chefiado por Azevedo, se notabilizou pela competência, sobretudo, na negociação. “A presença de Azevedo na disputa pelo comando da OMC mostra a capacidade enorme de promover a negociação e buscar o consenso.”

Tradicionalmente, o Brasil teve atuação mais marcante na OMC na defesa dos interesses agrícolas do País, conquistando vitórias em contenciosos contra os EUA em relação a barreiras para a entrada do suco de laranja brasileiro no mercado norte-americano e contra os subsídios de Washington a produtores de algodão.

Agora, o Brasil tem buscado aumentar sua influência em outros temas também para poder ganhar poder de negociação na Rodada de Doha, suspensa desde 2008 devido à falta de consenso entre os 159 membros da OMC sobre novas medidas de regularização e liberalização do comércio em temas como agricultura, setor de serviços e propriedade intelectual.

“Para o Brasil é prioritário avançar nesta discussão, mas a negociação multilateral com mais de 150 membros com interesses divergentes é complexa. Requer muito esforço de conciliação de visões”, diz Benjamim. Estamos tentando contribuir para construir um consenso por regras mais claras de comércio.”

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