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Síria

Observadores se reúnem com governador de Homs

por Redação Carta Capital — publicado 27/12/2011 09h25, última modificação 27/12/2011 09h26
Missão da Liga Árabe atende pedidos de organizações internacionais e segue para reduto da oposição, onde ação militar do governo deixou ao menos 15 mortos na segunda-feira 26
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Missão da Liga Árabe atende pedidos de organizações internacionais e segue para Homs, onde ação militar do governo deixou ao menos 15 mortos na segunda-feira 26. Foto: AFP

Os observadores da Liga Árabe na Síria se reuniram nesta terça-feira 27 com o governador do estado de Homs, reduto da oposição ao regime do presidente Bashar al-Assad, informou um canal de televisão privado. A missão atendeu aos pedidos de organizações internacionais para seguir diretamente para a região, que sofre ataques constantes das tropas do governo.

"A delegação de observadores da Liga Árabe iniciou a reunião com o governador de Homs, Ghasan Abdel Al", anunciou o canal Dunia, pouco depois do general sudanês Mohamed Ahmed Mustafah al-Dabi, chefe da missão da Liga no país, ter revelado à AFP que observadores da organização estavam a caminho da área.

A cidade de Homs, capital do estado, enfrentou na segunda-feira 27 uma ofensiva militar que resultou na morte de ao menos 15 pessoas e deixou centenas de feridos. Poucas horas antes da chegada da missão internacional,  as tropas do governo tentaram assumir o controle do bairro de Baba Amro.

"A situação é alarmante e o bombardeio é mais intenso que nos três últimos dias”, afirmou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), entidade ligada à oposição e com base em Londres.

Segundo a oposição, a maioria das mortes é causada pela repressão promovida pelo governo, para quem os distúrbios no país são causados por “terroristas armados” financiados no exterior.

Ataques

Na sexta-feira 23, mais de 30 pessoas morreram na explosão de dois carros-bomba na capital Damasco. A tevê estatal informou que supostos militantes da Al Qaeda atiraram em bases de um edifício das forças de segurança sírias, mas ativistas da oposição alegam que os atentados foram realizados por aliados do governo para influenciar a opinião dos observadores internacionais.

Uma primeira delegação com cerca de 50 analistas civis e militares árabes desembarcou no país na segunda-feira 26. A missão integra um plano de saída da crise proposto pela Liga Árabe, que prevê o fim da violência, a libertação dos detentos, a saída das Forças Armadas das cidades e a livre circulação dos observadores e da imprensa por todo o país.

Os enviados vão se separar em grupos menores e, segundo o acordo, estão livres para visitarem qualquer lugar do país para analisar a situação. Os observadores, que eventualmente devem chegar a 200, planejam se reunir com oficiais do governo e da oposição.

A Síria aceitou oficialmente o plano em 2 de novembro, mas manteve a violenta repressão à revolta iniciada em março. Segundo a ONU, cerca de 5 mil pessoas morreram em decorrência dos confrontos no país.

Pedidos

O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne a maioria das tendências de oposição, pediu no domingo 25 que a missão da Liga Árabe seguisse imediatamente para Homs, a terceira maior cidade do país, a 160 quilômetros de Damasco. “Os observadores deveriam seguir para o bairro mártir de Baba Amro para que cessem os assassinatos contra o povo sírio, e para que sejam testemunhas dos crimes cometidos pelo regime sírio”, afirma a ONG em um comunicado.

O OSDH também fez um novo pedido de intervenção imediata ao secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, para impedir um cerco ao hospital Al-Hikma, em Baba Amro. O governo teria intenção de prender feridos no local.

No domingo, o CNS anunciou que o bairro de Baba Amro estava cercado e sob a ameaça de invasão militar, com uma força de 4 mil soldados, após três dias de bombardeios contínuos. Além disso, as forças oficiais alteraram as indicações dos nomes de lugares na região de Jabal al-Zawiyah, na província de Idleb, para induzir os observadores ao erro, afirmou o OSDH.

O regime de Assad afirma que a violência é responsabilidade de “grupos armados” que pretendem espalhar o caos no país e que os confrontos já teriam matado 2 mil soldados.

Na sexta-feira 23, as autoridades acusaram a Al-Qaeda de estar por trás dos atentados com carro-bomba na capital, que mataram 44 pessoas.

Com informações AFP e Agência Brasil.

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