Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Observadores constatam violações dos direitos humanos

Internacional

Síria

Observadores constatam violações dos direitos humanos

por Redação Carta Capital — publicado 28/12/2011 12h32, última modificação 28/12/2011 12h46
Enviados da Liga Árabe informaram ainda não ter condições de avaliar se atos foram cometidos por autoridades, mas oposição diz que "missão coopera com regime"
siria

Vice-ministro sírio Faisal Meqdad (à direita) fala à imprensa durante visita dos observadores árabes. Foto: Louai Beshara/AFP

A missão da Liga Árabe confirmou nesta quarta-feira 28, durante visita à Síria, que houve violações dos direitos humanos em Homs, reduto da oposição ao presidente Bashar Al Assad. Os observadores disseram, porém, que não têm condições de avaliar se as violações foram cometidas por autoridades ou outros segmentos da sociedade.

Para o ministério francês das Relações Exteriores, no entanto, os observadores ficaram pouco tempo em Homs para apreciar a realidade da situação no local. "Sua presença não impediu a continuidade da violenta repressão na cidade, onde importantes manifestações foram violentamente reprimidas, deixando dezenas de mortos", declarou Bernard Valero, porta-voz da chancelaria.

Os observadores, de acordo com integrantes da missão, avistaram diversos corpos e prédios com marcas de balas em Homs. O grupo já prepara um relatório sobre a situação encontrada na Síria.

Os enviados da Liga Árabe viajam na noite desta quarta-feira para Deraa (sul), Idleb e Hama (norte), três redutos dos protestos. Eles devem passar também por um perímetro de 50 a 80 quilômetros ao redor da capital Damasco, informou o general sudanês Mohamed Ahmed Mustafa al-Dabi, coordenador da missão, à agência de notícias francesa AFP.

O general considerou "boa" a missão dos observadores em Homs na terça-feira, dia em que mais de 70 mil manifestantes contra o regime protestaram em um bairro da cidade. Al-Dabi anunciou ainda a chegada de outros 16 observadores ao país, para se juntarem aos 50 integrantes da missão na Síria.

Nem mesmo a presença internacional interrompeu, porém, a repressão do regime de Bashar al-Assad aos protestos.  Segundo organizações ligadas à oposição, prosseguem os confrontos entre militares e desertores.

Insatisfação

Integrantes da oposição se dizem insatisfeitos com o comportamento dos observadores que não teriam dado atenção à manifestação em Homs. Segundo ONGs internacionais, ao menos 17 pessoas morreram na terça-feira na cidade onde as forças de segurança dispersaram os manifestantes com gás lacrimogêneo.

Os observadores em Homs integram uma equipe de 50 pessoas que se subdividiu em grupos para visitar diversas províncias da Síria. De acordo com a Liga Árabe, 12 integrantes da missão visitaram Homs.

“Achamos que essa missão coopera com as autoridades e que a Liga Árabe dá cobertura ao regime sírio, porque ontem [27] foram registrados abusos e não houve reação”, disse Sherin Qabani, um dos líderes da oposição.

Além disso, a ONG Human Rights Watch informou que as autoridades transferiram centenas de presos em dependências militares para escondê-los dos observadores. Em comunicado, a organização de defesa dos direitos humanos apelou para que a missão "insista para obter acesso completo a todos os centros de detenção" da região.

De acordo com a Human Rights Watch, entre 21 e 22 de dezembro, cerca 600 detentos foram transferidos para uma fábrica de mísseis, na localidade de Zaidal, na região de Homs. Por outro lado, a emissora oficial de televisão síria informou que 755 presos por razões políticas foram libertados como parte das ações previstas no plano da Liga Árabe para o país.

Desde meados de março, quando começaram os protestos contra o governo de Assad, cerca de 5 mil pessoas morreram, de acordo com as Nações Unidas.

Com informações Agência Brasil e AFP.

Leia mais em afpmovel.com