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Obama tem de aceitar o diálogo com Rohani

por Gianni Carta publicado 05/08/2013 09h48, última modificação 05/08/2013 09h57
O novo presidente moderado do Irã é a última oportunidade para um acordo entre Teerã e o atual governo em Washington. Por Gianni Carta
Atta Kenare / AFP
Hassan Rouhani

O novo presidente do Irã faz discurso no parlamento iraniano neste domingo 4, após tomar posse

Hassan Rohani, o novo presidente iraniano, é um moderado e não um reformista.

Ele pode ter feito promessas durante sua campanha como combater a corrupção, a discriminação e a pobreza. O clérigo de 64 anos prometeu, ainda, uma redução de censura na internet. Mais: colocará em liberdade—ou pelo menos sugeriu – prisioneiros políticos como Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi, que teriam vencido as eleições de 2009 terminadas em um banho de sangue.

Ao contrário de seu antecessor Mahmoud Ahmadinejad, Rohani é um negociador pragmático com habilidades para lidar com Washington. Certamente é o que pensa o líder supremo, Ali Khamenei, o verdadeiro líder da república islâmica.

Durante sua inauguração oficial no domingo 4 em Teerã, o sétimo presidente iraniano desde a revolução Islâmica de 1979 anunciou: “Se vocês querem uma resposta, não tratem o Irã com medidas repressivas, falem com uma linguagem do respeito”.

Rohani, é claro, referia-se aos Estados Unidos e a Israel, embora em momento algum tenha citado os dois países.

Inquieta com o programa nuclear iraniano, a Casa Branca respondeu de forma conciliatória, mostrando-se pronta a “buscar uma solução pacífica para a questão” com um governo “seriamente engajado” em solucioná-la.

Barack Obama, ao contrário do premier israelense Benjamin Netanyahu, quer evitar um confronto bélico a todo custo com o Irã.  O presidente norte-americano precisa, portanto, lidar com a falta de tato do Congresso. Apenas quatro dias antes da inauguração oficial de Rohani, os deputados aprovaram um projeto de lei, o Ato de Prevenção Nuclear do Irã. Em miúdos, compradores de petróleo iraniano, o principal produto de exportação do país, serão punidos.

As exportações de petróleo do Irã caíram 40% desde o ano passado.

Se o projeto de lei for aprovado em setembro no Senado não haverá diálogo entre Obama e Rohani será, Teerã já deixou isso claro.

O atual presidente do Irã, vale recapitular, foi o fundador e ex-líder do Conselho Nacional de Segurança, instituição responsável pela política nuclear do país. Sob o presidente Mohammad Khatami, foi Rohani quem pela primeira vez permitiu uma investigação do programa nuclear iraniano.

A abertura de Rohani à época não rendeu frutos porque seu interlocutor era um homem inflexível, para não dizer um presidente bronco, o senhor Bush Jr.

Obama não somente tem de lidar com os legisladores que agem antes de uma possível negociação com um novo líder iraniano, mas com o premier israelense Benjamin Netanyahu.

Em meados de julho, já diante da vitória de Rohani, o falcão Netanyahu disse à rede de televisão CBS: “Não vou esperar até que seja demasiado tarde para Israel atacar o Irã”.

Netanyahu martelou que não vai aguardar Washington colocar a opção militar na mesa de negociações: se necessário, Israel agirá sem a ajuda dos EUA.

A tarefa é no mínimo árdua para Obama.

Mas ela pode ser sua última oportunidade para o atual presidente lidar com o Irã.

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