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Internacional

68ª Assembleia Geral da ONU

Obama se diz pronto para tentar a via diplomática com o Irã

por AFP — publicado 24/09/2013 15h09, última modificação 24/09/2013 15h14
Segundo presidente americano, superar impasse sobre programa nuclear iraniano pode ser um passo para um relacionamento diferente entre os países
John Moore / Getty Images / AFP
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Obama também falou sobre Síria em discurso nesta terça-feira 24

O presidente norte-americano, Barack Obama, declarou na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira 24 que está pronto para testar um difícil caminho diplomático com o novo governo do Irã, apesar das preocupações sobre seu programa nuclear.

Em meio a intensas especulações de que Obama poderia se encontrar com o presidente iraniano, Hassan Rohani, na Assembleia, o líder americano dedicou grande parte de seu discurso no encontro da ONU para aberturas em direção à nova liderança de Teerã.

Em seu discurso, Obama afirmou que "a busca do Irã por armas nucleares" será uma prioridade da política externa americana e ressaltou que "a desconfiança (entre os dois países) tem raízes profundas".

Os Estados Unidos romperam as relações diplomáticas com o Irã em 1980, um ano depois da Revolução Islâmica. As rivalidades entre os dois países têm aumentado desde então, com os Estados Unidos liderando as sanções ocidentais contra o país diante de suspeitas de que Teerã tenta se dotar de uma bomba nuclear.

"Eu não acredito que essa história difícil pode ser superada da noite para o dia - a desconfiança é muito profunda. Mas eu acredito que se nós pudermos resolver a questão do programa nuclear do Irã, isso pode servir como um grande passo no longo caminho em direção a um relacionamento diferente - baseado em respeito e interesses mútuos", afirmou.

Obama afirmou que havia escrito ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e a Rohani dizendo que os Estados Unidos estavam "determinados a impedi-los de desenvolver uma arma nuclear", mas que não deseja uma "mudança de regime".

Ao lembrar a declaração de Rohani segundo a qual o Irã nunca produzirá uma bomba nuclear, Obama afirmou que havia uma base para "um acordo significativo." "Para ter sucesso, palavras conciliatórias terão de ser acompanhadas de ações que sejam transparentes e verificáveis​​" sobre o programa nuclear, disse. "Os obstáculos podem ser muito grandes, mas acredito firmemente que o caminho diplomático deve ser tentado. Por enquanto, o status quo só vai aprofundar o isolamento do Irã, (mas) o verdadeiro compromisso do Irã de ir por um caminho diferente será bom para a região e para o mundo", afirmou.

Síria. Apesar de ter discursado sobre o Irã, a Síria foi o tema que dominou os discursos no primeiro dia da Assembleia Geral. Obama declarou que o presidente sírio, Bashar al-Assad, deve enfrentar as consequências se não entregar suas armas químicas.

Obama insistiu que os Estados Unidos estão prontos para utilizar a força militar para proteger seus "interesses fundamentais" no Oriente Médio. E renovou o pedido para que o Conselho de Segurança da ONU aprove uma resolução "forte" apoiando o plano russo-americano de destruir as armas químicas de Assad.

"Deve haver uma forte resolução do Conselho de Segurança (da ONU) para verificar se o regime de Assad está mantendo seus compromissos, e deve haver consequências se eles não o fizerem. Se não pudermos entrar em acordo sobre isso, vamos mostrar que a ONU é incapaz de impor a mais básica das leis internacionais", declarou. "Por outro lado, se obtivermos sucesso, enviaremos uma forte mensagem de que o uso de armas químicas não tem espaço no século XXI", ressaltou.

Obama também atacou os céticos que questionaram se Assad realizou o ataque químico de 21 de agosto perto de Damasco, que, segundo a inteligência americana, matou cerca de 1.400 pessoas. Ele disse que era um "insulto à razão humana" acreditar que os rebeldes da oposição poderiam ter encenado o ataque.

O líder americano também renovou as demandas de que a saída de Assad deve ser parte de qualquer solução para o conflito no país, que já dura 30 meses e que, segundo a ONU, já matou mais de 100 mil pessoas.

As grandes potências estão negociando uma resolução para apoiar o plano assinado entre russos e americanos. A Rússia tem resistido às demandas ocidentais de uma resolução vinculante ancorada sob o Capítulo VII da Carta da ONU, que prevê sanções ou o recurso à força se o acordo não for respeitado.

Moscou desconfia que o uso do Capítulo VII seria um primeiro passo para buscar autorização ao uso da força militar contra a Síria, seu principal aliado, explicaram diplomatas.

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