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Obama ressalta "aliança eterna" com Israel em visita

por Redação Carta Capital — publicado 20/03/2013 18h16, última modificação 20/03/2013 18h16
Em sua primeira viagem ao país, presidente dos EUA discute avanço do programa nuclear iraniano, mas deixa Palestina em segundo plano

Após quatro anos no poder, Barack Obama fez nesta quarta-feira 20 a sua primeira visita oficial a Israel como presidente dos Estados Unidos. E a viagem começou numa tentativa de reforçar os laços estratégicos ao dizer que as duas nações estão ligadas por uma "aliança eterna".

Mesmo “ignorado” no primeiro mandato, Israel é o mais importante aliado dos EUA no Oriente Médio. Em sua chegada ao aeroporto de Ben Gurión, em Tel Aviv, o presidente americano destacou o "orgulho” desta relação em um cenário no qual Israel vive a intensificação de problemas com os vizinhos Síria, Irã e Palestina.

A visita de Obama deve ser focada em discutir o avanço do programa nuclear iraniano, com menor destaque a uma visita do democrata a territórios palestinos, nos quais ele não irá discutir a retomada das negociações de paz.

"A paz deve chegar à Terra Santa. Nunca perderemos de vista a paz entre Israel e seus vizinhos árabes, especialmente palestinos", declarou Obama em breve discurso.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, com quem Obama mantém uma relação fria, recebeu o democrata e o agradeceu "por defender sem ambiguidade o direito de Israel de existir e por ter defendido com coragem este direito perante as Nações Unidas", em referência à oposição de Washington ao reconhecimento de um Estado palestino.

Obama deixou o aeroporto em um helicóptero rumo a Jerusalém, onde se reuniu com o presidente Shimon Peres. Segundo o democrata, a reunião centrou-se no Irã, no processo de paz e na instabilidade regional, incluindo um alerta do isralense para que as supostas armas químicas da Síria não caiam "nas mãos de terroristas".

Em seguida, Obama iniciou uma reunião com Netanyahu.

Territórios palestinos

Na primeira viagem de seu segundo mandato, Obama deve visitar na quinta-feira 21 os Territórios Palestinos, mas sem lançar uma iniciativa para a paz. Haverá também um encontro com o presidente palestino Mahmud Abbas em Ramallah e uma visita a Masílica da Natividade de Belém (Cisjordânia) na sexta-feira 22.

Os palestinos, decepcionados com o fracasso das negociações de paz mantidas durante o primeiro mandato do norte-americano, esperam que ao menos o governo dos EUA interceda em favor da libertação de mais de mil palestinos encarcerados em Israel, além do desbloqueio de 700 milhões de dólares em ajuda.

Antes da visita aos territórios, cerca de 200 militantes palestinos montaram barracas nesta quarta-feira em um projeto de assentamento israelense entre a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Os manifestantes ergueram tendas e exibiram uma bandeira palestina em uma colina em frente à "Aldeia de Bab al-Shams", desmantelada pelas forças israelenses em janeiro, na área do projeto E1.

Soldados israelenses entregaram aos manifestantes uma ordem de evacuação com um prazo, ou eles serão expulsos à força.

Discurso

A visita de Obama a Israel ocorre dois dias após a posse do novo governo de Netanyahu, que fixou como "principal prioridade a defesa e a segurança" pelas "ameaças muito graves" provenientes, segundo ele, de Irã e Síria.

O discurso que Obama pronunciará na quinta-feira em Jerusalém diante de centenas de jovens é visto pelos comentaristas israelenses como um contraponto ao discurso do líder americano no Cairo há quatro anos, que provocou diversas críticas em Israel.

A popularidade do presidente entre os israelenses, embora esteja em alta, permanece modesta. Segundo uma pesquisa do Jerusalem Post, 36% dos israelenses consideram que Obama é mais favorável aos palestinos, enquanto 26% pensam o contrário.

Obama depositará na sexta-feira uma coroa de flores no túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herlz, e do primeiro-ministro assassinado Isaac Rabin, antes de visitar o memorial do Holocausto de Yad Vashem.

Com informações de AFP.