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Obama pede controle de armas e estímulo à economia

por AFP — publicado 13/02/2013 10h27, última modificação 06/06/2015 18h25
No discurso sobre o Estado da União, presidente americano também confirmou a retirada de 34 mil soldados do Afeganistão

No discurso anual State of the Union (Estado da União), realizado na terça-feira 13 diante de congressistas e funcionários do governo e assistido por milhões de americanos, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se concentrou em temas internos e polêmicos para os americanos, como o controle sobre a venda de armas e a reforma do sistema migratório. Por outro lado, também pediu aos congressistas a aprovação de estímulos econômicos de combate à crise e o equilíbrio do orçamento público, antigos fantasmas que assombram Obama desde seu primeiro mandato.

O presidente americano também aproveitou o discurso sobre o Estado da União, o primeiro após ser reeleito, para anunciar medidas populares como o fim da guerra no Afeganistão em 2014 e o início de negociações para a criação de uma zona de livre-comércio com a Europa.

Um dos pontos mais polêmicos do discurso foi o pedido explícito do presidente para uma regulação da venda de armas no país, tema que movimenta a opinião pública norte-americana. Obama afirmou, diante de congressistas e parentes de vítimas, que os mortos em tiroteios merecem ver votados no Congresso projetos de lei que propõem normas mais rígidas para o controle de armas de fogo no país. "Sei que esta não é a primeira vez que neste país se debate a maneira de reduzir a violência armada. Mas desta vez é diferente", disse Obama, em referência à recente série de massacres nos Estados Unidos. "Cada uma destas propostas merece um voto no Congresso", pediu.

Acompanhavam ao discurso, da plateia, os pais de Pendleton Hadiya, que participou no desfile da posse do segundo mandato de Obama e morreu poucos dias depois em um tiroteio em Chicago. "Há apenas três semanas ela estava aqui, em Washington, com seus colegas de classe, atuando por seu país em minha posse", disse Obama ao prestar homenagem à jovem de 15 anos.

"E uma semana depois foi assassinada a tiros em um parque de Chicago depois de sair da escola, a apenas uma milha (1,6 km) de distância da minha casa", completou, visivelmente emocionado.

Ao pedir a ação do Congresso, o presidente também fez referência ao massacre de 14 de dezembro na escola primária Sandy Hook em Connecticut, quando um atirador matou 20 crianças e seis adultos. Também na plateia estava a ex-congressista Gabrielle Giffords, que recebeu um tiro na cabeça há dois anos no Arizona.

Economia e Migração
Outro clamor do presidente ao Congresso foi a necessidade de tomar medidas para impulsionar a economia e reformar o sistema migratório. Durante o discurso desta terça 13 sobre Estado da União, Obama aproveitou para traçar as prioridades de seu governo, no contexto de uma economia que ainda tenta se recuperar da pior crise em décadas, e de um desemprego alto, de 7,9%.

Segundo ele, a principal tarefa do país é estabilizar seu orçamento. Obama criticou os cortes de gastos de grande envergadura que entrarão em vigor automaticamente em 1º de março. "Estes cortes súbitos, graves e arbitrários, colocariam em risco nossa disponibilidade militar. Destruiriam prioridades como a educação, energia e as pesquisas médicas. Definitivamente, desacelerariam nossa recuperação, e nos custariam centenas de milhares de empregos", advertiu.

"Não é de um governo maior que precisamos, e sim de um governo mais sensato, que estabeleça prioridades e invista em um crescimento generalizado", afirmou Obama diante de um Congresso dividido, com a Câmara dos Representantes nas mãos dos republicanos.

Em referência à reforma migratória, Obama pediu ao Congresso que lhe envie "nos próximos meses" uma lei de reforma que inclua um caminho para a cidadania dos 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem nos Estados Unidos. "Sabemos o que deve ser feito. Pois bem, terminemos de fazê-lo", disse.

Em janeiro, um grupo bipartidário de senadores fechou um acordo de princípios para avançar em uma reforma migratória, enquanto deputados na Câmara dos Representantes, dominada pela oposição republicana, trabalham em um projeto de reforma.

Entre os convidados para ouvir o discurso ao lado da primeira-dama, Michelle Obama, estava Alan Alemán, um jovem mexicano em situação ilegal que se beneficiou de uma medida do governo para adiar a sua deportação e, hoje, frequenta uma universidade.

Afeganistão, Irã e Coreia do Norte
No que se refere à política externa, Barack Obama aproveitou o primeiro discurso de seu segundo mandato para anunciar uma medida popular: a repatriação de 34 mil soldados americanos que estão no Afeganistão no próximo ano, antes do encerramento da guerra, em 2014.

Além disso, o presidente também destacou o início de negociações com a Europa para criar a maior zona de livre comércio do mundo, o que é considerado um importante passo para o fortalecimento econômico americano frente à China.

Horas antes do discurso sobre o Estado de União, o mundo recebia a notícia de que a Coreia do Norte realizava com sucesso seu terceiro e mais eficiente teste nuclear. Devido a isso, Obama reservou parte de seu discurso ao que chamou de "provocações" do regime comunista norte-coreano e prometeu "medidas firmes" junto aos aliados de Washington contra o país.

"Provocações como a que vimos ontem à noite apenas os isolarão ainda mais, já que, juntamente com nossos aliados, fortaleceremos nossa própria defesa contra mísseis e iremos liderar o mundo na adoção de medidas firmes em resposta a essas ameaças", afirmou Obama no Congresso. "O regime da Coreia do Norte deve saber que somente alcançará a segurança e prosperidade mediante o cumprimento de suas obrigações internacionais", advertiu.

Em seu primeiro mandato, Barack Obama deixou de lado a expectativa de mudança de comportamento da Coreia do Norte e, em vez disso, adotou uma espécie de "paciência estratégica", à espera de que o regime de Pyongyang desse o primeiro passo.

Em relação ao Irã, que, em duas semanas, terá novas negociações com as potências mundiais, Obama foi mais cauteloso e disse que o momento é o "de uma solução diplomática".

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