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Obama nomeia John Kerry secretário de Estado

por AFP — publicado 22/12/2012 09h40, última modificação 22/12/2012 09h40
O escolhido para chefiar a diplomacia dos EUA teve papel importante na carreira política de Obama
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Obama e Kerry chegam ao salão Roosevelt da Casa Branca, na sexta-feira 21. O escolhido por Obama tem papel importante na carreira do presidente. Foto: Mandel Ngan / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nomeou na sexta-feira 21 o veterano senador democrata e ex-candidato presidencial John Kerry para o cargo de secretário de Estado, em um ato na Casa Branca. Ele substitui Hillary Clinton como chefe da diplomacia norte-americana.

"Sei que será um excelente secretário de Estado", assegurou Obama durante seu discurso. Se espera que o nome de Kerry, um ex-veterano da guerra do Vietnã e presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, seja bem aceito e confirmado no cargo pela Câmara. "Tenho certeza que o Senado confirmará sua nomeação rapidamente", expressou Obama.

"Não precisará de muito treinamento para o cargo. Ao longo dos anos ganhou o respeito e a confiança de seus colegas no Senado, tanto democratas como republicanos". "É certo dizer que poucas pessoas conhecem tantos presidentes e primeiros-ministros ou entendem tanto de nossa política externa como John Kerry".

A atual chefe da diplomacia americana, Hillary Clinton, anunciou há meses seu desejo de sair do departamento de Estado no inicio do segundo mandato de Obama, que começará em janeiro de 2013. "Falei hoje com o senador John Kerry e lhe cumprimentei pela nomeação. Também falei com o presidente Obama para lhe dizer que fez uma excelente escolha. Kerry tem a diplomacia no sangue", destacou Hillary Clinton.

Depois de a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, desistir de se apresentar ao cargo, era dado como certo que Obama ofereceria o posto a Kerry.

Rice era a favorita para suceder Hillary Clinton mas decidiu renunciar à disputa por causa das críticas que recebeu após aparecer em programas de televisão no dia seguinte ao ataque ao consulado americano de Benghazi, na Líbia, dizendo que de acordo com informações disponíveis se tratava de uma manifestação espontânea de líbios e não de um ataque orquestrado por militantes islâmicos.

As investigações revelaram que o ataque ao consulado em Benghazi, que matou quatro funcionários americanos, inclusive o embaixador Chris Stevens, foi uma ação planejada por grupos armados ligados à rede Al-Qaeda. Um comunicado oficial, fruto do trabalho de três meses de uma comissão independente criada por Clinton e publicado na terça-feira, criticou o departamento de Estado pelas "falhas e deficiências" na segurança do consulado em Benghazi.

Kerry, 69 anos, perdeu as eleições presidenciais de 2004 para o republicano George W. Bush. Senador pelo Estado de Massachusetts desde 1985, Kerry teve papel relevante na carreira política de Obama, principalmente após escolher o então desconhecido político para pronunciar o discurso mais importante da convenção democrata de 2004. Kerry também ajudou Obama na preparação dos debates presidenciais durante a última eleição, em novembro, contra o candidato republicano Mitt Romney.

Como presidente, durante quatro anos, da poderosa comissão de Relações Exteriores do Senado, onde sucedeu ao atual vice-presidente Joe Biden, Kerry ganhou experiência em assuntos diplomáticos e serviu como emissário de Obama em temas delicados.

Kerry já viajou ao Oriente Médio e ao sul da Ásia e se reuniu com o presidente da Síria, Bashar al-Assad, em várias ocasiões, quando Washington procurava uma abertura diplomática e uma retomada das conversações de paz entre árabes e israelenses antes do início da revolta síria.

Em maio de 2011, Kerry foi ao Paquistão para tentar aliviar as tensões provocadas pela missão militar que resultou na morte do então líder da rede Al-Qaeda, Osama bin Laden, e em 2009 fez uma visita à Faixa de Gaza controlada pelo Hamas, embora não tenha se encontrado com nenhum líder do grupo islâmico.

Assim que for confirmado em seu novo cargo, Kerry enfrentará uma variedade de desafios na política externa, incluindo o polêmico programa nuclear do Irã e o que parece ser o fim do regime de Assad na Síria.