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Discurso de Obama

Obama: 'EUA não estão em guerra com o Islã'

por Opera Mundi — publicado 02/05/2011 09h31, última modificação 02/05/2011 10h31
Leia o pronunciamento de Barack Obama, em que o presidente dos EUA anunciou a morte do líder da rede Al Qaeda, Osama Bin Laden, executado no Paquistão. Do Opera Mundi

Do Opera Mundi.*

Leia abaixo o pronunciamento de Barack Obama, em que o presidente dos EUA anunciou a morte de Bin Laden.

"Boa noite. Hoje à noite, eu posso relatar ao povo americano e ao mundo que os Estados Unidos realizaram uma operação que matou Osama bin Laden, o líder da Al Qaeda, e um terrorista que é responsável pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes.

Foi há quase 10 anos, quando um brilhante dia de setembro foi escurecido pelo pior ataque ao povo americano em nossa história. As imagens de 11/09 estão gravadas na nossa memória nacional - aviões sequestrados cortando um céu sem nuvens de setembro, as Torres Gêmeas desabando ao chão, fumaça preta subindo do Pentágono, os destroços do vôo 93 em Shanksville, Pensilvânia, onde as ações heróicas de cidadãos heróicos evitaram ainda mais desgosto e destruição.

E, no entanto sabemos que as piores imagens são aqueles que não foram vistas pelo mundo. A cadeira vazia na mesa de jantar. As crianças que foram obrigadas a crescer sem a mãe ou o pai. Os pais que nunca saberão o sentimento de abraçar um filho. Cerca de 3.000 cidadãos tirados de nós, deixando um buraco em nossos corações.

Em 11 de setembro de 2001, no momento em que sofríamos, o povo americano se uniu. Oferecemos os nossos vizinhos a mão, e oferecemos aos feridos o nosso sangue. Reafirmamos nossos vínculos uns com os outros, e nosso amor pela comunidade e pelo país. Naquele dia, não importa de onde viemos, a que Deus oramos, ou a que raça ou etnia pertencíamos, estávamos unidos como uma única família americana.

Nós também estávamos unidos em nossa determinação de proteger nossa nação e trazer aqueles que cometeram este brutal ataque à Justiça. Nós descobrimos rapidamente que os ataques de 11 de Setembro foram realizados pela Al Qaeda - uma organização liderada por Osama bin Laden, que tinha declarado abertamente guerra aos Estados Unidos e se comprometeu a matar inocentes em nosso país e ao redor do globo. E assim fomos para a guerra contra a Al Qaeda para proteger os nossos cidadãos, nossos amigos e nossos aliados.

Nos últimos 10 anos, graças ao trabalho incansável e heróico dos nossos militares e dos profissionais da luta contra o terrorismo, temos feito grandes avanços com nosso esforço. Nós impedimos ataques terroristas e reforçamos a defesa do nosso território. No Afeganistão, nós removemos o governo talibã, que havia dado refúgio, segurança e apoio a Bin Laden e à Al Qaeda. E, ao redor do globo, trabalhamos junto com nossos amigos e aliados para capturar ou matar dezenas de terroristas da Al Qaeda, incluindo alguns que faziam parte do ataque de 11 de Setembro.

No entanto, Osama bin Laden conseguiu evitar ser capturado e escapou para o Paquistão, do outro lado da fronteira do Afeganistão. Enquanto isso, a Al Qaeda continuou a operar ao longo dessa fronteira e intervir através das suas filiais em todo o mundo.

E assim, logo após tomar posse, eu me dirigi a Leon Panetta, o diretor da CIA, para transformar a morte ou a captura de Bin Laden na principal prioridade da nossa guerra contra a Al Qaeda, assim como nós continuamos nossos esforços mais amplos para atrapalhar, desmantelar e destruir sua rede.

Então, em agosto passado, depois de anos de árduo trabalho pela nossa comunidade de inteligência, eu fui informado sobre uma possível ligação com Bin Laden. Estava longe de ser algo certo, e demorou muitos meses para tornar real esta discussão. Encontrei-me várias vezes com minha equipe de segurança nacional, e conseguimos mais informações sobre a possibilidade de que tínhamos localizado o esconderijo de Bin Laden em um complexo situado num interior distante do Paquistão. E, finalmente, na semana passada, eu determinei que tínhamos inteligência suficiente para agir, e autorizei uma operação para deter Osama bin Laden e trazê-lo à justiça.

Hoje, sob minha direção, os Estados Unidos lançaram uma operação dirigida contra esse sítio, em Abbottabad, Paquistão. Um pequeno grupo de norte-americanos conduziu esta operação com coragem e capacidade extraordinárias. Nenhum americano foi ferido. Eles tomaram cuidado para evitar vítimas civis. Após um tiroteio, mataram Osama bin Laden e tomaram seu corpo sob custódia.

Por mais de duas décadas, Bin Laden foi o líder da Al Qaeda e seu símbolo, e continuou a planejar ataques contra nosso país e nossos amigos e aliados. A morte de Bin Laden assinala a conquista mais significativa até esta data do esforço de nossa nação para derrotar a Al Qaeda.

No entanto, sua morte não marca o fim do nosso esforço. Não há dúvida de que a Al Qaeda continuará a organizar ataques contra nós. Precisamos - e vamos - manter-nos vigilantes, em nosso país e no exterior.

Ao fazermos isso, temos também de reafirmar que os Estados Unidos não estão - e nunca estarão - em guerra com o Islã. Eu deixei claro, assim como o presidente Bush fez logo após o 11 de Setembro, que a nossa guerra não é contra o Islã. Bin Laden não era um líder muçulmano, ele era um assassino em massa de muçulmanos. Na verdade, a Al Qaeda tem abatido dezenas de muçulmanos em muitos países, inclusive o nosso. Assim, sua morte deve ser saudada por todos que acreditam na paz e na dignidade humana.

Ao longo dos anos, eu várias vezes deixei claro que tomaria medidas em conjunto com o Paquistão se soubéssemos onde estava Bin Laden. Isso é o que nós fizemos. Mas é importante notar que a nossa cooperação antiterrorista com o Paquistão ajudou a nos levar a Bin Laden e ao complexo onde estava escondido. Na verdade, Bin Laden também declarou guerra contra o Paquistão, e ordenou ataques contra o povo paquistanês.

Hoje à noite, liguei para o presidente Zardari, e minha equipe também tem falado com os seus pares do Paquistão. Eles concordam que este é um bom e histórico dia para as nossas duas nações. E daqui para frente, é essencial que o Paquistão continue a se juntar a nós na luta contra a Al Qaeda e seus afiliados.

O povo americano não escolheu essa luta. Ele veio para as nossas costas, e começou com a matança sem sentido dos nossos cidadãos. Após quase 10 anos de trabalho, luta e sacrifício, nós sabemos bem os custos da guerra. Estes esforços pesam sobre mim cada vez que eu, como comandante-em-Chefe, tenho que assinar uma carta a uma família que perdeu um ente querido, ou olhar nos olhos de um militar que foi gravemente ferido.

Assim, os americanos compreendem os custos da guerra. No entanto, como país, nós nunca vamos tolerar que a nossa segurança seja ameaçada, nem ficar de braços cruzados quando o nossos cidadãos forem mortos. Nós seremos implacáveis ​​na defesa do nosso povo e dos nossos amigos e aliados. Seremos fieis aos valores que nos fazem quem somos. E em noites como esta, podemos dizer às famílias que perderam entes queridos para o terror da Al Qaeda: a Justiça foi feita.

Hoje à noite, damos graças a inúmeros profissionais de inteligência e contraterrorismo que trabalharam incansavelmente para alcançar este resultado. O povo americano não vê o seu trabalho, nem sabe seus nomes. Mas hoje eles sentem a satisfação de seu trabalho e do resultado de sua busca de justiça.

Agradecemos aos homens que realizaram essa operação, pelo exemplo de profissionalismo, patriotismo e coragem ímpar daqueles que servem o nosso país. E eles fazem parte de uma geração que suportou a maior pressão, desde aquele dia de setembro.

Por fim, deixe-me dizer às famílias que perderam entes queridos em 11 de setembro que nunca esqueceremos esta perda, nem hesitaremos em nosso compromisso de fazer de tudo para evitar outro ataque dentro de nossas fronteiras.

E hoje, vamos pensar de volta para o sentido de unidade que venceu em 11 de setembro. Eu sei que ele tem, por vezes, se esgarçado. No entanto, o feito de hoje é um testemunho da grandeza do nosso país e da determinação do povo americano.

A questão da segurança de nosso país não está resolvida. Mas nesta noite, mais uma vez fomos lembrados de que a América pode realizar seus objetivos. Essa é a história da nossa história, da busca da prosperidade para nosso povo ou da luta pela igualdade de todos os nossos cidadãos, ou do nosso compromisso de defender os nossos valores no exterior e dos nosso sacrifícios para tornar o mundo um lugar mais seguro.

Lembremo-nos que nós podemos fazer estas coisas não só por causa da riqueza ou poder, mas por causa de quem somos: uma nação, sob Deus, indivisível, com liberdade e justiça para todos.

Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América."

* Tradução de Haroldo Ceravolo Sereza e João Novaes.

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